Padroeiros

 

 

OS PADROEIROS

 

Uberaba, nasceu sob a proteção de Santo Antônio e São Sebastião, que se tornaram os primeiros padroeiros oficiais do então povoado. No ano de 1812, o sesmeiro José Francisco de Azevedo, se instalou às margens do córrego do Lajeado (onde se localiza atualmente o bairro rural de Santa Rosa), mandou erguer uma capelinha dedicada aos dois santos. No entorno desta capelinha formou-se uma pequena comunidade, com cerca de 30 a 40 moradores. Ali permaneceram até o ano de 1816, quando toda a população se mudou para o novo povoado de Santo Antônio e São Sebastião do Beraba, criado pelo Sargento Mor Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira. Estes moradores trouxeram os seus santos de devoção e os colocaram na segunda capelinha dedicada a eles. Esta capelinha se localizava na atual Praça Frei Eugênio de Uberaba. No dia 2 de março de 1820, o Imperador Dom João VI, autorizou a criação da Freguesia de Santo Antônio e São Sebastião de Uberaba, reconhecendo assim a existência de um povoado nestas paragens.

 

Mas, a pequena capela não atendia às demandas da sociedade católica da Freguesia. Assim, um grande trabalho para a construção da atual Igreja Matriz se tornou fundamental e emergente. O povo se uniu às construções da nova Matriz de Santo Antônio e São Sebastião. A Igreja crescia juntamente com a cidade. Com a chegada do primeiro bispo da Diocese de Uberaba Dom Eduardo Duarte da Silva no ano de 1896, ele introduziu a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Inaugurou, a igreja do Sagrado Coração de Jesus, onde hoje é a atual igreja da Adoração Perpétua. Os santos Antônio e Sebastião, permaneceram na velha Matriz.

 

No ano de 1926 por determinação do bispo D. Luís Maria de Sant’Ana e decreto da Sagrada Congregação Consistorial a catedral foi transladada para a Matriz de Santo Antônio e São Sebastião da Praça Rui Barbosa e os padroeiros foram invertidos, permanecendo assim, em definitivo, como Catedral Metropolitana do Sagrada Coração de Jesus a partir de 20 de maio de 1926. Sendo este o padroeiro principal da Igreja e Santo Antônio e são Sebastião como padroeiros secundários. Ainda assim, de modo a manter viva a memória de mais de cem anos que Uberaba permaneceu sob a proteção de Santo Antônio e São Sebastião, decidiu-se que uma estátua de cada santo ladearia a catedral metropolitana, imagens que permanecem até hoje em local de visibilidade e veneração.

Mas quem foram estes santos?

 

SANTO ANTÔNIO

Santo Antônio de Pádua (1195-1231) é um santo venerado pela Igreja Católica. Foi canonizado pelo Papa Gregório IX em 30 de maio de 1232. Seu dia festivo é comemorado no Brasil e em Portugal em 13 de junho. Fernando Martins de Bulhões conhecido como Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, no dia 15 de agosto de 1195. Filho de Martinho de Bulhões e Maria Tereza Taveira desde pequeno acompanhava os pais nas celebrações na catedral de Lisboa.

Iniciou sua formação religiosa aos 15 anos no Mosteiro de São Vicente de Fora. Entre 1218 e 1220 foi ordenado sacerdote, em Santa Cruz de Coimbra, onde teria vivido por cerca de nove anos, período em que redigiu os “Sermones Dominicales”. No ano de 1220, tornou-se franciscano ao ingressar na Ordem dos Frades Menores, em Santo Antão ou Santo Antônio dos Olivais em Coimbra.

 

Em todos os lugares que passou, as suas pregações encontraram forte eco popular, pois lhe eram atribuídos feitos prodigiosos que contribuíram para o crescimento de sua fama de santidade. Com uma saúde precária retirou-se para o eremitério franciscano de Camposampiero, recolhendo-se numa cela construída no topo de uma nogueira, no bosque próximo à casa do Conde de Tiso. Morreu em Arcella no dia 13 de junho de 1231, com 39 anos, quando se encontrava a caminho de Pádua, onde pedira para ser transportado para morrer. Foi sepultado em Santa Maria de Pádua, no dia 17 de junho de 1231.

 

No século XV seu culto se espalhou por toda a Europa cristã, chegando ao Brasil com os portugueses em 1500. Santo António transforma-se e pode ser o “negro, ou o indu ou o de tradição afro-brasileira”.

 

Os milagres de Santo Antônio, ainda em vida, lhe valeram a canonização, em 13 de maio de 1232, apenas onze meses depois de sua morte, pelo papa Gregório IX. Um dos milagres de Santo Antônio é relatado quando o frei pregava aos hereges em Rimini, na Itália, e estes não quiseram escutar e deram-lhe as costas. Sem desanimar, Santo Antônio vai até a beira do rio e continua pregando, momento que ocorre um milagre, quando vários peixes se aproximam e colocam a cabeça fora d’água em ato de escuta. Os hereges ficaram tão impressionados que logo se converteram.

 

Outro milagre de Santo Antônio é aquele em que salva o pai da forca. Conta-se que estando a pregar em Pádua, sentiu que sua presença era necessária em Lisboa. Recolhe-se a seus aposentos, e cobre a cabeça em silêncio e reflexão. Ao mesmo tempo, se encontra em Lisboa, onde seu pai tinha sido condenado pelo homicídio de um jovem. Este, ressuscitado pelo frei, afirma a inocência de seu pai. Após ver seu pai inocentado, Santo Antônio subitamente volta para Pádua e recomeça sua pregação. Nesse ato, ocorrem dois fatos miraculosos em um só: Esteve em dois lugares ao mesmo tempo e provou o poder de reanimar os mortos.

 

Outro dom de Santo Antônio só foi revelado após a sua morte. Certa noite, ao ver alguns raios de luz saindo das frestas da porta do quarto, o conde se aproximou e olhou pela fresta. Compreendeu que se tratava de um milagre ao ver a Virgem Maria entregando o menino Jesus nos braços do frade. Enquanto ainda observava, o Menino desapareceu. O santo passou a ser representado carregando nos braços o Menino Jesus.

 

Santo Antônio foi na devoção popular Professor, missionário. Ficou celebrizado em toda a cristandade por suas outras virtudes que, posteriormente, lhe popularizariam a imagem. Foi um poderoso taumaturgo, constando oficialmente de sua hagiografia a realização de milagres: ressurreições, controle de forças naturais, domesticação de animais, inclusive selvagens, curas de variadas moléstias, recuperador de objetos perdidos, protetor dos navegantes, marinheiros e pescadores, comerciantes, protetor das crianças entre tantos outros.

O Pão de Santo Antônio

O pão na imagem de Santo Antônio também é bem comum. Representa um de seus vários milagres feitos em vida. Em algumas obras vimos o santo distribuindo o "pão dos pobres". Essa é uma característica mais recente, do século XIX. Surgiu durante uma época de muita fome na Europa, e se espalhou pelo mundo.

 

A Trezena a Santo Antônio de Lisboa é um encontro para orações, realizado treze dias consecutivos é uma espécie de novena, que diferentemente da novena rezada em nove dias em homenagem ao santo (por ser o dia treze o seu dia de festejo) é rezada em treze dias.

 

Em 1946, Santo António foi consagrado Doutor da Igreja, pelo Papa Pio XII, reconhecendo-se o seu valor de teólogo e pregador.

O dia de Santo Antônio é comemorado em 13 de junho, data de sua morte, e faz parte dos festejos juninos. Santo Antônio é conhecido como Santo casamenteiro, sendo o dia dos namorados comemorado no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio. Nesse dia, são realizadas simpatias para o santo, com orações e pedidos de casamento. Ele é o “santo lúdico”, e, está presente no cancioneiro popular. A louvação ao santo é também a maneira de se encontrarmos amigos, funcionando como um espaço de socialização e riso no período das festas juninas.

Os festejos juninos no Brasil, amplamente difundidos por todos os cantos do país. São marcas alegres da devoção aos santos Antônio, João e Pedro. Essas festas perpassam por todas as cidades, nas escolas, nos bairros, nas comunidades, perpetuando a memória dos santos, mas também e, principalmente, reafirmando o significado dos mesmos na cultura brasileira.

 

SÃO SEBASTIÃO

 

No dia 20 de janeiro, a Igreja celebra um dos seus santos mais conhecidos, São Sebastião, padroeiro de muitas comunidades, paróquias e cidades. Na exortação pós-sinodal Christus Vivit, o Papa Francisco o coloca como um dos jovens santos que deram a sua vida por Cristo, sendo esses jovens “reflexos de Cristo jovem, que resplandecem para nos estimular e tirar fora da sonolência”. Segundo o pontífice, o Sínodo dos Jovens salientou que “muitos jovens santos fizeram resplandecer os delineamentos da idade juvenil em toda a sua beleza e foram, no seu tempo, verdadeiros profetas de mudança; o seu exemplo mostra do que os jovens são capazes, quando se abrem ao encontro com Cristo”. (Christus Vivit, 49)

 

São Sebastião nasceu na cidade de Narbonne na França, em 256 d.C. no seio de uma família cristã e foi viver em Milão. O nome Sebastião deriva-se do grego Sebastós, que significa divino, venerável.

Chegou a Roma através de caravanas de migração. Listou-se como soldado do exército romano por volta de 283 d.C objetivando apoiar os cristãos enfraquecidos pelas torturas. Conquistou a confiança dos imperadores Diocleciano e Maximiano, foi designado capitão da guarda dos imperadores. Era complacente com os prisioneiros cristãos e por isso considerado traidor, tendo sido ordenada sua execução por meio de flechas. Seu corpo foi amarrado a um tronco de carvalho e deixado para ser devorado por animais e aves de rapina.

 

Mas não estava morto, sendo resgatado por Santa Irene, que cuidou dos ferimentos. Após sua recuperação, apresentou-se novamente junto ao Imperador Diocleciano, que ordenara seu espancamento até a morte. Seu corpo foi jogado no esgoto público romano. Uma mulher cristã de nome Luciana (se tornou santa), que o resgatou, limpou e sepultou nas catacumbas dos apóstolos Pedro e Paulo. Construíram, então, nas catacumbas, um templo, a Basílica de São Sebastião. O templo existe até hoje e recebe devotos e peregrinos do mundo todo

Tido como exemplo de militar cristão, o mártir foi intitulado “Defensor da Igreja” e se tornou terceiro padroeiro de Roma, depois de São Pedro e São Paulo, no pontificado de Gregório Magno (c.540-604). Foi tema comum na arte medieval. O culto a São Sebastião teve início no século IV e atingiu o auge na Baixa Idade Média (século XIII ao XV).

 

É um dos santos mais querido, venerado e invocado no mundo cristão, e, um dos santos mais populares do mundo. Morreu jovem, com apenas 30 anos de idade, em 20 de janeiro de 288 d.C. Apesar da sua breve existência terrena, teve uma vida fecunda de trabalhos e realizações no seio da Igreja, em uma época difícil das grandes perseguições. Soldado e missionário, viveu intensamente seu compromisso batismal, inserido em diversas pastorais.

 

Trazida pelos portugueses, sua devoção está presente entre nós desde os tempos em que o Brasil era colônia de Portugal. São Sebastião do Rio de Janeiro é o nome real da cidade que tem esse nome em consequência de um milagre do santo ocorrido e testemunhado quando os franceses queriam invadir a cidade. Invocado em orações no momento da invasão, São Sebastião foi visto a frente de um numeroso exército de soldados, que fez com que os invasores fugissem apavorados. Em memória desse milagre, a cidade passou a chamar-se São Sebastião do Rio de Janeiro.

São Sebastião é conhecido por ter servido a dois exércitos: o de Roma e o de Cristo. Sempre que conseguia uma oportunidade, visitava os cristãos presos, levava uma ajuda aos que estavam doentes e aos que precisavam. É o santo que o homem da área rural pede para que tire todas as pestes, todos os males da lavoura, dos animais.

 

O culto a São Sebastião é um dos mais populares. Sua imagem e devoção foi introduzida no sertão pelos bandeirantes. Em Uberaba, ele entrou juntamente com Santo Antônio em 1812 pelas mãos dos entrantes. Tornou-se juntamente com Santo Antônio padroeiro da Igreja Matriz e da cidade. Existem na cidade várias Folias de São Sebastião. Os foliões vestem camisas vermelhas, tem a bandeira vermelha com a imagem do Santo. Na cantoria os foliões cantam a história e os milagres do santo. Na literatura e no folclore brasileiro, o santo é o ícone de várias expressões artísticas.

 

SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS

 

O Sagrado Coração de Jesus é o padroeiro titular da Catedral Metropolitana de Uberaba. Ele foi instituído padroeiro quando a Diocese de Uberaba foi criada em 1907. A Igreja construída por Dom Eduardo, que viria a ser a Catedral do bispado, recebeu como padroeiro o Sagrado Coração de Jesus. O Papa Pio X o decretou também padroeiro da Diocese. Sua festa acontece no último dia 11 de junho.

 

É uma das expressões mais difundidas da piedade eclesial, tal como refere recentemente o “Directório sobre a Piedade Popular e a Liturgia” da Congregação para o Culto Divino. Os Pontífices romanos têm salientado constantemente o sólido fundamento na Sagrada Escritura desta maravilhosa devoção.

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem origem bíblica. O coração é uma das maneiras de falar do infinito amor de Deus pelos homens, amor este que encontra seu ápice no mistério pascal do Senhor.

 

O primeiro devoto do Coração de Jesus no Brasil nascente foi São José de Anchieta, ele escreveu versos sobre o Coração de Jesus e pregou a devoção junto aos nativos que somente entendiam os gestos.

 

No entanto, Santa Margarida Maria Alacoque foi uma das principais religiosas da Igreja a propagar a devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Ela nasceu na Aldeia de Lautecour, na Borgonha, em 1647. Nessa época apesar de já existir, a veneração não era muito conhecida. A sua missão foi dar-lhe impulso e difusão universal, adaptá-la às necessidades da Igreja Católica nos tempos modernos e fixar as práticas de piedade mais adequadas às novas circunstâncias. A mais célebre das aparições foi em 1673, quando Jesus pediu a Santa Margarida Maria que fosse estabelecida uma festa para honrar seu Coração: a sexta-feira depois da oitava da festa do Corpo de Deus.

 

Ela teve uma revelação do Sagrado Coração de Jesus quando ouviu: “Meu coração Divino está inflamando de amor pelos homens e por ti. Preciso difundir as chamas do meu coração para enriquecer a todos com os preciosos tesouros do meu coração”. Assim nasceu a festa do Sagrado Coração de Jesus.

 

Pio IX instituiu a festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus, propondo, segundo a recomendação dos santos, a consagração do mundo ao Coração de Jesus. São João Eudes, no século XVI, na França, fundador da congregação de Jesus e Maria, foi quem iniciou a implantação da festa litúrgica do Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria. Para ele, os Corações de Jesus e Maria eram um só, unidos pela fornalha ardente do Espírito Santo. A imagem do Sagrado Coração de Jesus estava em toda parte em evidência, em grande parte devido à devoção franciscana às Cinco Feridas e aos jesuítas, colocando a imagem na página de rosto de seus livros e nas paredes de suas igrejas.

 

Nas aparições a Santa Margarida de Alacoque (freira da Ordem da Visitação de Santa Maria), ela revelou a forma de como deveria ser praticada a devoção, sendo a principal a recepção da comunhão na primeira sexta-feira de cada mês, a adoração eucarística durante a "Hora Santa" às quintas-feiras e a Festa da do Sagrado Coração de Jesus.

 

Cida Manzan

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