OS PÁROCOS DA CATEDRAL METROPOLITANA DE UBERABA

Paróquia de Santo Antônio e de São Sebastião, primeiro título dado a Catedral Metropolitana de Uberaba, foi criada em 2 de março de 1820. Desde então, vários sacerdotes estiveram a frente de nossa estimada Catedral e considerando alguns documentos, foi considerada a seguinte ordem cronológica:

 

1º Padre Antônio José da Silva (Vigário Silva) - 1820 a 08/01/1852

2º Padre Francisco Ferreira Rocha - 09/01/1852 a 30/09/1853

3º Padre Carlos José dos Santos - janeiro de 1854 a 23/06/1891

4º Cônego Cândido Marinho de Oliveira - 20/01/1892 a 15/02/1894

5º Cônego Aurélio Elias de Souza - 17/02/1894 a 13/09/1896

6º Mons. Ignácio Xavier da Silva - 14/09/1896 a 04/04/1929

7º Padre Alaor Porfírio de Azevedo - 17/12/1929 a 09/05/1934

8º Monsenhor J. Tiago dos Santos - 10/05/1934 a 05/01/1935

9º Padre Jacinto Fernandes - 06/01/1935 a 02/01/1941

10º Monsenhor Almir Marques Ferreira - 20/01/1941 a 04/10/1941

11º Padre Saul Amaral - 20/10/1941 a 04/08/1946 e 29/02/1948 a 03/04/1949

12º Cônego Isaías Lagares - 05/08/1946 a 27/02/1948

13º Cônego José Armênio Cruz - 03/04/1949 a 30/01/1954

14º Monsenhor Olímpio Olivieri - 31/01/1954 a 23/11/1987

15º Padre Thomaz de Aquino Prata - 27/11/1987 a 23/09/1989

16ºMonsenhor Paulo Aparecido Porta - 24/09/1989 a 17/10/2013

17º Monsenhor Valmir Aparecido Ribeiro - 18/10/2013 até o presente

Nesta seção vamos contar um pouco sobre o paroquiato de cada um desses ilustres sacerdotes que colocam à disposição da Catedral, seus dons e serviços.

 

Paroquiato de Padre Antônio José da Silva (Vigário Silva):

O Cônego Antônio José da Silva, conhecido popularmente por Vigário Silva, nasceu em Ouro Preto e foi ordenado padre na diocese de Mariana, sendo designado para assumir a capela de Santo Antônio e São Sebastião em 1815, antes mesmo da elevação de Uberaba a Freguesia.

No período colonial e imperial da história do Brasil, os padres desempenhavam diversas funções na sociedade, além das religiosas. Com o regime do Padroado Régio, os clérigos tinham liberdade e legitimação social para desempenharem diversas atividades públicas e uma delas era o envolvimento com a política, até mesmo assumindo a liderança da política local, delegada muitas vezes pelo governo a fim de estabelecer e fortalecer as funções próprias da política, isto é, administrativas. A Igreja era responsável também pela

administração civil da sociedade até 1889 e os registros de batismo, casamento e de óbito eram considerados legítimos, para além do âmbito religioso, pois tinham validade civil.

Com a crescente necessidade de emancipação política, a população de Uberaba encaminhou em 1832 um abaixo-assinado ao governo Provincial. Nesse documento, foram apresentadas as mudanças locais, como o aumento populacional e organização social e política. Isto exigia um governo local para facilitar a administração e promover a emancipação política.

Conta-se que no ano de 1835, Vigário Silva enviou para a Assembleia Provincial de Minas Gerais um relatório expondo a realidade do Desemboque, que vivia em declínio populacional e econômico, devido à expansão e crescimento das localidades vizinhas. Isto favoreceu a emancipação política em 22 fevereiro de 1836, com a criação da Câmara Municipal de Uberaba. Até então, a administração política de Uberaba era de responsabilidade da Vila de Araxá (de 1831 a 1835). O primeiro presidente eleito da Câmara Municipal, portanto, o agente executivo, foi o Capitão Domingos da Silva e Oliveira, fazendeiro e juiz de órfãos, irmão do fundador do Arraial, o Major Eustáquio.

Capitão Domingos é considerado na história o primeiro prefeito de Uberaba. Permaneceu no cargo até 1841, quando foi eleito Vigário Silva. Esses primeiros líderes políticos foram importantes para a consolidação e articulação política da cidade. Foram homens que marcaram de maneira singular a vida da cidade e houve o reconhecimento social desses cidadãos, sendo colocados seus nomes em ruas importantes de nossa cidade.

Sua vida política foi retomada em 1851, quando foi eleito presidente da Câmara Municipal. Quanto a seus feitos religiosos, podemos citar que durante seu paroquiato houve a construção e inauguração de duas importantes igrejas: a Igreja do Rosário, terminada em 1842, e a Igreja de Santa Rita, em 1854. Não foi possível encontrar relatos de sua participação efetiva em ambas as construções, mas dadas as prerrogativas de seus cargos na época, podemos ter certeza de sua participação nesses feitos.

 

Paroquiato de Padre Francisco Ferreira Rocha:

De acordo com a listagem do professor Carlos Pedroso, foi o segundo pároco da Freguesia de Santo Antônio e São Sebastião. Contudo, nas pesquisas realizadas em periódicos, livros e artigos não se encontrou nenhum registro a respeito de ações públicas desse pároco.

 

Paroquiato de Padre Carlos José dos Santos:

Este pároco, assim como o Vigário Silva, recebeu como homenagem o registro de uma rua com seu nome, a Vigário Carlos, além de ter sido um dos párocos que por mais tempo esteve à frente da Catedral: mais de 37 anos.

De acordo com um dos primeiros periódicos de Uberaba, o Gazeta de Uberaba, na edição de 15 de maio de 1879, havia a organização de celebrações realizadas em louvor ao Divino Espírito Santo e, a partir desse periódico, pode-se observar a continuidade dessa tradição, bem como a inserção das festas dos padroeiros, São Sebastião e Santo Antônio, além da realização de loterias para a manutenção do templo e sua administração.

No período compreendido entre 1854 a 1891, ocorreram dois importantes fatos: o primeiro em 1874, com a chegada do chamado “Regulador Público”, primeiro relógio instalado na torre da Catedral, que funcionou até 1899 quando foi substituído por outro modelo suíço em 1900. O segundo fato importante aconteceu em 18 de maio 1880, como registra a notícia veiculada na edição de 25 de maio de 1880, do jornal Gazeta de Uberaba: a instalação de um dos sinos da Catedral.

 

Paroquiato de Cônego Cândido Marinho de Oliveira:

O cônego Cândido Marinho de Oliveira foi o quarto pároco da Catedral e permaneceu por pouco mais de dois anos. Meses depois de assumir o cargo, realizou as tradicionais festas do Divino Espírito Santo e de Santo Antônio. Na edição do jornal Gazeta de Uberaba, do dia 20 de junho de 1892, temos a apresentação do projeto composto por cinco quadros, feito pelo arquiteto Dr. Adamo Boare e apresentado à comissão nomeada por Dom Eduardo. Esses quadros representam a grande reforma pela qual a Catedral passou, principalmente em sua fachada externa, planejada em estilo gótico romano, característica que a destaca das demais construções da Praça Rui Barbosa.

 

Paroquiato de Cônego Aurélio Elias de Souza:

O quinto pároco da Catedral, o Cônego Aurélio Elias de Souza, permaneceu no cargo até pouco depois da chegada de Dom Eduardo Duarte Silva à cidade de Uberaba, em 10 de agosto de 1896. Seu paroquiato foi marcado pela continuação na reforma da igreja Matriz e pela realização das tradicionais festas dos padroeiros São Sebastião, Santo Antônio e do Divino Espírito Santo, assim como a restauração da imagem de São Sebastião, em março de 1894.

Durante o ano de 1894, a partir da leitura feita no jornal Gazeta de Uberaba, constata-se o empenho do Cônego Aurélio junto à sociedade para arrecadar os fundos necessários para dar continuidade à reforma. Na edição de 30 de novembro de 1894, encontramos o pedido de doações de prendas destinadas a uma quermesse.

A manutenção e sustentação do templo quase sempre partiu de doações, quermesses e até mesmo loterias, pois mesmo sendo a igreja a Matriz da cidade, a movimentação econômica envolveu os leigos que se empenharam em construir e cuidar do templo. Isto, evidentemente, era motivado pelo pároco, líder e, ao mesmo tempo, administrador dos recursos angariados.

 

Paroquiato de Monsenhor Ignácio Xavier da Silva:

O sexto pároco da Catedral foi Monsenhor Ignácio Xavier da Silva que, assim como Vigário Silva, teve um papel, além do religioso, de grande relevância política, chegando à condição de agente executivo na Câmara Municipal em duas oportunidades: de 1916 a 1920 e de 1921 a 1922. Sua vida política teve suas raízes em sua cidade de origem, Goiás, onde iniciou seus estudos no Seminário Santa Cruz e os terminou no Seminário de Angoulême, na França. Cumpriu o estágio em Roma onde estudou Teologia e, em seu retorno à França, foi ordenado sacerdote. Em Vila Boa foi nomeado professor de Teologia Dogmática do Seminário Episcopal de Santa Cruz, em Goiás Velho.

Veio para Uberaba acompanhando o bispo de Goiás, Dom Eduardo Duarte Silva na transferência da sede do bispado de Goiás para esta cidade. Aqui, atuou como Vigário Geral e pároco da Catedral. Foi eleito agente executivo na Câmara Municipal e nos primeiros anos de residência foi eleito vereador do mesmo órgão, assim desenhou sua trajetória religiosa e política.

Como figura pública, teve participação nos periódicos da época, primeiro meio de comunicação bastante utilizado pelos párocos para a divulgação das festas, celebrações e comunicados. Além disso, segundo o historiador Vitor Lacerda, foi Monsenhor Ignácio o responsável pela construção das escadarias em frente à Catedral que permanecem até hoje.

As celebrações das festas dos padroeiros foram realizadas tradicionalmente, assemelhando-se às anteriores e, em 2 de janeiro de 1899, foram recebidas as novas imagens de Santo Antônio e São Sebastião que permaneceram até 1926, em 2000 voltando para o altar da Catedral. Continuaram as obras de reconstrução do templo, a realização de quermesses, a celebração da Semana Santa com a presença do bispo Dom Eduardo e outras celebrações foram incorporadas à rotina paroquial, como, por exemplo, a festa de São Vicente de Paula, de Nossa Senhora das Dores, missa e procissão de Corpus Christi (não antes relatada nos periódicos), festa da Imaculada Conceição após a aquisição da imagem feita pela Sociedade São Vicente de Paula em abril de 1903. Sua primeira coroação ocorreu em 12 de abril do referido ano, como se pode ler na edição de 10 de abril do Gazeta de Uberaba.

Já em 1904 houve a realização da primeira festa na Catedral em louvor ao Sagrado Coração de Jesus, devoção motivada pelo Papa Leão XIII e popularizada com o início da romanização. Seguindo os passos de seu predecessor Pio IX, incentivou a consagração ao Sagrado Coração de Jesus. Com a festa litúrgica instituída a partir do ano de 1856, a devoção foi propagada por toda a Europa, chegando ao Brasil com os padres que realizaram seus estudos nos colégios romanos.

Em 1916, ano em que Dom Eduardo Duarte Silva comemorou o Jubileu de Prata episcopal, durante o paroquiato de Mons. Ignácio, a imagem do Sagrado Coração de Jesus foi inaugurada na praça Rui Barbosa, doada pelo Círculo Católico em homenagem a Dom Eduardo, tendo permanecido na praça por muitos anos.

Durante a gestão de Monsenhor Inácio como agente executivo, foi demolido o antigo prédio da Câmara Municipal, bem como construído o novo, que recebeu a famosa pintura de Vicente Corcione e Rodolfo Mosello: Uberaba, Princesa do Sertão. Após sua saída da Catedral em abril de 1929, foi residir no Rio de Janeiro até sua morte.

 

Paroquiato Padre Alaor Porfírio de Azevedo:

Nos registros referentes ao sétimo pároco da Catedral, continuaram as campanhas em prol da reforma do templo, num momento em que a sociedade enfrentava dificuldades econômicas. Mesmo assim, não faltaram recursos e as obras não foram interrompidas, tendo em vista a grande mobilização feita pelo terceiro bispo de Uberaba, Dom Frei Luiz Maria de Santana, que em inúmeras oportunidades se dirigiu aos fiéis, pedindo recursos para a reforma planejada. Outros feitos realizados pelo Padre Alaor Porfírio: podemos destacar uma grande limpeza na Casa Paroquial, ocasionando o descarte de parte da antiga mobília. Essa limpeza, segundo consta no 1º livro de Tombo da Catedral, foi pedida pela Câmara e feita pelo senhor Francisco Buzzolo, em meados de maio de 1929. Já no ano de 1930, foi feita uma campanha para a aquisição de novos bancos para a Catedral, doados pelos fiéis. Foram 74 bancos que custaram em torno de 110 mil réis. Outro aspecto que podemos destacar é que a vida pastoral da Catedral ganhou cada vez mais consolidação, sobretudo, após ter recebido o título de Catedral da Diocese de Uberaba, em 1926. Assim, os padres começaram a ser chamados de curas da Catedral, tendo em vista o termo “Curato da Sé” ser similar ao de Catedral. A vida religiosa de Padre Alaor foi marcada também por ter sido Coadjutor de Monsenhor Manuel Fleury Curado em Patos de Minas, como cita Padre Prata em seu livro.

 

Paroquiato de Monsenhor Joaquim Tiago dos Santos:

O oitavo pároco da Catedral, de acordo com o historiador Vitor Lacerda no Jornal Metropolitano de edição número 54“[...] iria assumir interinamente a Catedral até que um nome apropriado fosse encontrado, o que somente aconteceria um ano depois, em 1935”. A interinidade pode ser comprovada na publicação da edição de 5 de janeiro de 1935, do jornal Correio Católico onde consta a nomeação de seu sucessor. Sua nomeação deu-se principalmente por Monsenhor Joaquim já ocupar algumas funções no bispado de Dom Luiz Maria de Santana, tais como: Diretor e Redator-Chefe do Correio Católico, Diretor Espiritual e Ecônomo do Seminário Menor, cargos que demonstraram sua competência para assumir a Catedral.

Após seu paroquiato, foi nomeado como Vigário Geral e Juiz Oficial do Tribunal Ordinário da Diocese, cargos de suma importância para a administração arquidiocesana.

 

Paroquiato de Padre Jacinto Fernandes:

Padre Jacinto assumiu o Catedral como o nono pároco. Nasceu em 12 de setembro de 1904 e foi ordenado aos 27 anos em 06/12/1931 sendo, portanto, um dos mais jovens párocos da Catedral assumindo em 1935 com apenas 31 anos. Seu paroquiato foi marcado pela cerimônia de inauguração e bênção da parte nova da Catedral.

Paroquiato de Monsenhor Almir Marques Ferreira:

O décimo pároco, Monsenhor Almir Marques Ferreira, nascido na cidade de Patrocínio em 18 de novembro de 1911, esteve à frente da Catedral por um rápido período. Os registros referentes a sua história remetem mais a sua nomeação como bispo coadjutor da Diocese de Sorocaba, em 9 de abril de 1957, sendo ordenado em agosto do mesmo ano. Permaneceu como coadjutor até 1961 quando o Papa João XXIII criou a Diocese de Uberlândia e o nomeou bispo da referida Diocese, onde permaneceu até 1978. Faleceu na cidade de Uberlândia em 1 de janeiro de 1984, como bispo emérito daquela Diocese.

 

Paroquiato de Padre Saul Amaral:

Nascido na cidade de Ipameri, em abril de 1914, o décimo-primeiro pároco da Catedral, Saul Amaral, passou a infância em Coromandel, iniciou sua formação no Colégio Marista e, posteriormente, sua formação eclesiástica iniciou-se no Seminário São José, tendo sido finalizada no Seminário Coração Eucarístico de Jesus, em Belo Horizonte. Foi ordenado sacerdote por Dom Alexandre na Catedral em 1940, paróquia que assumiu em 1941.

Sua primeira e segunda passagem pela Catedral foram marcadas pelas celebrações religiosas, tendo em vista que a cidade de Uberaba contava com poucas paróquias na época e basicamente as celebrações oficiais da Diocese eram na sede do bispado, na Catedral. Além da Semana Santa, Corpus Christi, Natal, ordenações eram celebradas pelo bispo Dom Alexandre.

Após sua segunda passagem pela Catedral, foi transferido para Uberlândia e, em seguida, nomeado pároco da Paróquia do Santíssimo Sacramento Apresentado pelo Patrocínio de Maria na cidade de Sacramento onde permaneceu por mais de 30 anos, tendo até mesmo uma praça com seu nome, em sua homenagem.

 

Paroquiato de Cônego Isaías Lagares:

O décimo-segundo pároco da Catedral, Cônego Isaías Lagares, assumiu o Paroquiato na saída de Padre Saul Amaral. Nasceu em 4 de novembro de 1907, filho de Avelino Lagares e Maria Luiza Lagares. Ingressou no Seminário São José em Uberaba em 1926 e foi ordenado por Dom Luiz Santana em 25 de maio de 1933. O quarto bispo de Uberaba, Dom Alexandre o designou para a paróquia de São Miguel em Veríssimo por seis anos e para Presidente Olegário. Em 1941, assumiu em Uberaba a reitoria do Seminário São José. Nomeado pároco da Catedral em 1946, assumiu durante o período em que Padre Saul Amaral esteve fora. Seu Paroquiato foi marcado pela administração e manutenção do templo.

 

Paroquiato de Cônego José Armênio Cruz:

Nascido em 28 de setembro de 1915, filho de Armênio Camillo da Cruz e Judith Moraes da Cruz, o décimo-terceiro pároco da Catedral estudou no Seminário do Coração Eucarístico de Jesus em Belo Horizonte e foi ordenado diácono em agosto de 1939 pelo bispo dominicano, Dom Fr. Sebastião Thomaz. Sua ordenação sacerdotal ocorreu em Uberaba alguns meses depois, com a chegada de Dom Alexandre, tendo em vista que a Diocese de Uberaba experimentou alguns meses de sede vacante, após a nomeação de Dom Luiz Maria de Santana para Botucatu. Em 1940, assumiu a paróquia de Santo Antônio e São Sebastião até ser nomeado pároco da Catedral. Durante seu Paroquiato, era responsável também pelo Correio Cató de diretor-editor. Com a circulação do jornal ter-se tornado diária, exigiu ainda mais sua atenção, principal motivo de sua saída da Catedral. No período à frente da Catedral, podemos destacar que no dia 11 de outubro de 1953 foi celebrado o início da Semana Eucarística Preparatória, em comemoração aos dois anos da chegada da obra providencial da Adoração Perpétua. Com a chegada dessa obra à Diocese, a Paróquia de Santo Antônio e São Sebastião passou a ser chamada também de Adoração Perpétua.lico, no qual assumiu o cargo de diretor-editor. Com a circulação do jornal ter-se tornado diária, exigiu ainda mais sua atenção, principal motivo de sua saída da Catedral. No período à frente da Catedral, podemos destacar que no dia 11 de outubro de 1953 foi celebrado o início da Semana Eucarística Preparatória, em comemoração aos dois anos da chegada da obra providencial da Adoração Perpétua. Com a chegada dessa obra à Diocese, a Paróquia de Santo Antônio e São Sebastião passou a ser chamada também de Adoração Perpétua.

Paroquiato de Monsenhor Olímpio Olivieri:

O paroquiato de Monsenhor Olímpio Olivieri foi um dos mais longos da Catedral, tendo sido o décimo-quarto pároco. Participou de grandes momentos na Catedral: a aquisição do Órgão que está instalado no coro da Catedral, a elevação da Catedral diocesana a Catedral Metropolitana em 1962, (quando a Diocese foi elevada a Arquidiocese), a reforma feita por Dom Benedito em 1983, entre outras ações. É o único padre enterrado na cripta dos falecidos da Catedral, juntamente com os demais bispos: Dom Eduardo, Dom Alexandre, Dom Benedito e Dom Aloísio Roque.

Nascido na cidade paulista de São José do Rio Pardo, em 26 de julho de 1915, filho de imigrantes italianos, Luiz Olivieri e Carmela Miceli, iniciou sua vida religiosa na Congregação Estigmatina, na cidade de Rio Claro, onde permaneceu por dois anos, antes de vir para a Diocese de Uberaba, em 1934. Concluiu sua formação em Belo Horizonte e foi ordenado em 1941 por Dom Alexandre. Sua primeira missa foi celebrada em sua futura paróquia a Catedral. Em 1942, foi nomeado vigário-cooperador do pároco Saul Amaral e desempenhou essa função até 1944. Em 1945 assumiu o cargo de professor no Seminário do Coração Eucarístico de Jesus, na capital mineira e, em 1946, foi transferido para a cidade de Ibiá para desempenhar a função de pároco. Em 1954, foi nomeado cura da Catedral de Uberaba por Dom Alexandre.

Em 1956, foi adquirido o grande órgão de tubos que está até hoje no coro da Catedral. Durante seu paroquiato, a Igreja Católica passou por grandes transformações, após a realização do Concílio Vaticano II que se iniciou em 1962 e se estendeu até 1965. A partir dos documentos produzidos pelo clero no Concílio, houve grandes mudanças na Igreja Católica e uma das maiores foi a determinação de que as missas passassem a ser versus populum, isto é,“missa virada para o povo”. Antes, a tradição era a missa tridentina, em que o padre ficava voltado para o altar fixado na parede, ficando o celebrante de costas para o povo. Além disso, a liturgia da Missa era em latim, com exceção das leituras e da homilia.

Alguns anos depois, antes mesmo do término do Concílio do Vaticano II, no ano de 1960, Monsenhor Olimpio Olivieri liderou a campanha para a construção do novo altar-mor da Catedral. Segundo Monsenhor Olimpio em entrevista para o jornal Correio Católico, o antigo altar-mor não cumpria as novas exigências litúrgicas da Santa Sé.

O projeto do novo altar foi de responsabilidade da Marmoraria Progresso, de Ribeirão Preto, pelo marmorista Hamleto Belloni. A principal campanha feita por Monsenhor Olímpio para a arrecadação de recursos para a aquisição do novo altar foi a festa de Nossa Senhora Aparecida em 1960 e sua quermesse.

A inauguração do altar foi realizada em 18 de junho de 1961, com Missa celebrada por Dom Alexandre. O altar traz gravado em latim a expressão ALTARE DE CHRISTUS e foi fixado na Catedral em 1983 por Dom Benedito, ainda durante o paroquiato de Monsenhor Olimpio. No ano de 1964, foi contratada uma empresa de Belo Horizonte para a instalação na igreja de um sistema de alto-falantes para melhorar a acústica nas pregações. Em maio de 1967, foi realizada uma reforma nas portas da Igreja Catedral; em 1975 foi entregue a reforma do salão paroquial iniciada em 1º de outubro do mesmo ano. já no ano de 1978 houve uma limpeza e pintura na Igreja Catedral e reparos na instalação elétrica. Contudo, foi em agosto de 1983 que outra grande reforma foi realizada na Catedral, cumprindo o desejo do 2º arcebispo e 6º bispo de Uberaba, Dom Benedito de Ulhôa Vieira que chegou à Arquidiocese em 1978. Essa reforma envolveu vários espaços da Catedral, como a parte elétrica, modificação do presbitério, construção da cripta na entrada da Capela do Santíssimo para o sepultamento dos bispos e arcebispos. Conta-se que a cripta ser localizada onde está partiu de Dom Benedito que queria que os ali sepultados pudessem contemplar Jesus, mesmo depois de mortos. O primeiro bispo de Uberaba, Dom Eduardo Duarte Silva, teve seus restos mortais transladados para a cripta em 26 de novembro de 1983.

Em dezembro do mesmo ano, foi celebrada a inauguração da obra, executada pela empresa ETEL, sendo liderada pela diretora Danusa Jardim Guaritá e pela arquiteta Maria Inês Rodrigues da Cunha. A inauguração contou com a presença das líderes que estiveram à frente dessa importante reforma e dos operários que executaram o serviço.

No último ano de seu paroquiato, em fevereiro de 1987, Dom Benedito nomeou Padre Thomaz Aquino Prata para ser o administrador paroquial da Catedral, em razão da precariedade da saúde de Monsenhor Olimpio e sua idade avançada, 71 anos. Em 23 de novembro de 1987, Monsenhor Olimpio faleceu e em 27 de novembro do mesmo ano, Padre Thomaz de Aquino Prata tornou-se pároco da Catedral.

 

Paroquiato de Padre Thomaz de Aquino Prata:

O décimo-quinto pároco da Catedral foi o padre, professor, escritor, cronista e colunista do Jornal da Manhã por vários anos, Padre Thomaz de Aquino Prata, filho de Alberto Prata e Maria Rosita Prata, uma das famílias tradicionais da cidade. Nasceu em 22 de dezembro de 1922, em Uberaba, estudou no Colégio Marista e ingressou no Seminário São José, onde estudou Francês, Inglês e Latim, além de outras matérias do Curso Ginasial. Em 1941, foi para Belo Horizonte onde cursou Filosofia e Teologia, tendo estudado nesse período Sociologia, Literatura Brasileira e Estrangeira, Biologia e Grego.

Foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1946 na Catedral, por Dom Alexandre, juntamente com Monsenhor Vicente Ambrósio dos Santos. Foi professor no Seminário da Arquidiocese de Belo Horizonte e, em 1954, ganhou uma bolsa de estudos na Catholic University of America nos Estados Unidos, tendo feito um estágio na paróquia de St. Monica's Parish. Em seu retorno ao Brasil em 1957, lecionou na Faculdade de Filosofia Santo Tomás de Aquino (FISTA). Também lecionou na Faculdade de Ciências Econômicas e Faculdade de Ação Social, ambas de Uberlândia.

Atuou como capelão do Colégio Marista, do qual fora aluno, e no Mosteiro das Concepcionistas, atual Santuário da Medalha Milagrosa. Teve grande influência política na cidade, principalmente pela riqueza de seus conhecimentos, sendo até mesmo preso durante o Regime Militar na década de 1960 e interrogado no Batalhão da Polícia Militar em Uberaba, em razão de seu trabalho como professor e suas publicações. Padre Prata contou diversas vezes este episódio. Foi interrogado pelos militares e contou com a ajuda de Dom Alexandre que, por sua influência política e religiosa, conseguiu que Padre Prata fosse liberado da prisão.

Seu trabalho na Catedral começou ainda como administrador paroquial no tempo de Monsenhor Olimpio, e foi nomeado pároco por Dom Benedito em novembro de 1987, dias depois da morte de seu antecessor. Podemos destacar seu trabalho à frente da Catedral, sua oratória em suas homilias, o zelo nas celebrações litúrgicas e o cuidado da vida pastoral da paróquia e da arquidiocese.

Antes de findar seu paroquiato, em 26 de agosto de 1989, acolheu na Catedral a ordenação presbiteral do atual pároco, Monsenhor Valmir Ribeiro, Padre Alécio Freire e Padre Luiz Cláudio.

Em 8 de dezembro 2016, na Catedral Metropolitana, celebrou o jubileu dos 70 anos de sua ordenação presbiteral, tendo falecido em 4 de abril de 2019 com 96 anos. Seu corpo foi velado na Catedral e foi sepultado no Cemitério São João Batista. Foi um grande sacerdote que deixou para a Arquidiocese de Uberaba um enorme legado que muito contribuiu para a construção histórica da Arquidiocese. Lançou em 1987, a pedido de Dom Benedito, “Memória da Arquidiocese de Uberaba”. Foi um dos membros fundadores da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, onde ocupou a Cadeira de número 4.

 

Paroquiato de Monsenhor Paulo Aparecido Porta:

O décimo-sexto pároco da Catedral foi Monsenhor Paulo Porta, natural de Itápolis-SP, filho de Auxílio Porta e Jeanete Pelizzari Porta, nascido em 20 de abril de 1959. Ingressou no Seminário de São Carlos em 17 de julho de 1971 e terminou sua formação religiosa no Seminário São José, em Uberaba. Foi ordenado padre pelas mãos de Dom Benedito Ulhôa Vieira em 7 de dezembro de 1985, com outros dois colegas de turma, sendo um deles Dom Antônio Braz Benevente, atual bispo de Jacarezinho.

Antes de assumir a Catedral, foi nomeado pároco da Paróquia de Nossa Senhora das Dores na cidade de Santa Juliana, onde permaneceu até sua posse na Catedral em 24 de setembro de 1989. Como pároco da Catedral Metropolitana, realizou diversas construções, reformas e melhorias no templo e imóveis ligados à Paróquia, além de celebrar importantes datas vida arquidiocesana, como a comemoração do Centenário da Arquidiocese em 2007.

vida pastoral da Paróquia foi bastante movimentada em razão dos diversos projetos desenvolvidos pela Arquidiocese que ganharam solidez após o lançamento do PAPIU, o Plano Arquidiocesano de Pastoral da Igreja de Uberaba, com sua primeira edição lançada ainda no início do arcebispado de Dom Benedito.

Entre os feitos de Monsenhor Paulo, podemos listar: Reforma geral da igreja, com nova pintura e decoração valorizando o estilo gótico; reaquisição do terreno e antigo prédio da Cemig; construção do anexo Monsenhor Paulo Aparecido Porta onde funciona o Salão Paroquial e que abrigou por muitos anos o Colégio Objetivo e a FACTHUS; construção da nova sacristia e reforma da antiga casa paroquial que hoje abriga as salas de catequese; retorno da imagem dos copadroeiros de Santo Antônio e São Sebastião que até 2000 estavam na Igreja da Adoração Perpétua; aquisição das portas de madeira que contam a história da Arquidiocese e cidade de Uberaba, além da alusão aos primeiros padroeiros; restauração e aquisição de novos tubos para o órgão adquirido na década de 1950; eletrificação dos sinos; reforma e aquisição de vitrais; instalação do gradil que envolve a Catedral na área externa; implantação dos setores e formação dos grupos de reflexão que foram incentivados pela Arquidiocese, a partir de 2003.

Um dos feitos de Monsenhor Paulo à frente da Catedral foi a reaquisição do antigo prédio da CEMIG. Em 1994, a empresa entrou com ação judicial exigindo da Catedral a entrega do terreno, em razão do usucapião do terreno. Entretanto, Monsenhor Paulo não desistiu do prédio e após incansáveis idas a Belo Horizonte, reuniões envolvendo lideranças políticas e religiosas, como os arcebispos Dom Benedito e, posteriormente, Dom Aloísio Roque, a empresa, em reunião de 12 de novembro de 2003, concordou em devolver o terreno à Catedral.

No ano de 2000, em comemoração ao Jubileu dos 180 anos da criação da Paróquia, foram adquiridas as imagens de Santo Antônio e São Sebastião. Ao lado das escadarias, elas passaram a fazer parte dos jardins, onde, desde 1996, a imponente imagem do Sagrado Coração de Jesus, já recepcionava os visitantes.

Dessa forma, a área externa passou a agregar a composição completa dos três padroeiros da Paróquia. Os dois padroeiros iniciais fazem parte da divisão arquitetônica original e as ruas adjacentes foram denominadas Santo Antônio e São Sebastião em sua referência. No mesmo ano da aquisição das novas estátuas de grande porte, em novembro, Monsenhor Paulo consegue junto à Arquidiocese e a Cúria Romana que as antigas imagens dos padroeiros iniciais retornassem para a Catedral. Elas haviam sido transferidos para a Paróquia da Adoração em 1926.

No decreto assinado por Dom Aloísio Roque, fica claro que o titular da paróquia permaneceria sendo o Sagrado Coração de Jesus.

Durante o paroquiato de Monsenhor Paulo, ocorreram algumas construções e reformas no patrimônio da Catedral, entre elas, a construção do Salão Paroquial e o prédio que abrigou por anos o Colégio Objetivo e a FACTHUS. Esta construção começou com a demolição do antigo Salão Paroquial, construído na década de 1940, como consta no 5º livro de Tombo da Catedral. O engenheiro responsável pela demolição, confecção do projeto e construção do novo Salão Paroquial e das salas que estão acopladas sobre o Salão foi José Carlos Pereira Júnior. O projeto desenvolvido pelo engenheiro a pedido do pároco foi dividido em quatro partes, envolvendo reformas em outros setores da Catedral:

Projeto I – Construção do grande salão em três andares;

Projeto II – Escritórios e nova sacristia, unindo-se à antiga Casa Paroquial;

Projeto III – Casa Paroquial, sob o antigo prédio da CEMIG;

Projeto IV – Novo presbitério e reformas gerais na Catedral.

No aspecto pastoral, Monsenhor Paulo deu grande atenção à formação das lideranças leigas e agentes de pastorais, além do apoio à Catequese que contou com inúmeras turmas de Primeira Eucaristia e Crisma. Durante seu paroquiato, houve a celebração de importantes jubileus que marcaram a história da Arquidiocese de Uberaba, como o Jubileu dos anos 2000, convocado pelo Papa João Paulo II, a comemoração do Jubileu dos 100 anos de criação da Arquidiocese, momento que exigiu o alinhamento da

Paróquia ao projeto elaborado para a comemoração, isto é, a criação e a estruturação dos setores da paróquia.

 

Paroquiato de Monsenhor Valmir Aparecido Ribeiro:

O décimo-sétimo e atual pároco da Catedral é o Monsenhor Valmir Ribeiro, filho de Vitor Ribeiro e Benedita Maria Ribeiro. Nasceu na cidade de Alfenas em 4 de janeiro de 1961, recebeu o sacramento do Batismo em 12 de fevereiro do mesmo ano, na solenidade da Imaculada Conceição. Em 8 de dezembro de 1970, recebeu o sacramento da Primeira Eucaristia e na festa da Medalha Milagrosa, em 27 de novembro de 1976, o sacramento da Crisma.

Vindo do Seminário Bom Jesus em Aparecida do Norte, onde estudou por sua diocese de origem, Guaxupé, em 1987 foi acolhido pelo arcebispo Dom Benedito Ulhôa Vieira, terminando o curso de Teologia no Seminário São José. Em 1988, recebeu o ministério de leitorado e acolitado, ministérios iniciais do sacramento da Ordem. Foi ordenado diácono em 24 de junho de 1989, no Santuário da Medalha Milagrosa e em 26 de agosto de 1989 foi ordenado presbítero por Dom Benedito, com mais dois padres, Padre Luiz Cláudio (já falecido) e Padre Alécio Freire.

Iniciou os trabalhos na paróquia de Nossa Senhora do Carmo, na cidade do Prata, antes mesmo de ser ordenado, ainda como seminarista. Essa foi sua primeira paróquia até sua nomeação para a Paróquia Santa Teresinha em Uberaba, em 1997, onde permaneceu até 2009. Em fevereiro de 2009, foi transferido para a Paróquia do Santíssimo Sacramento apresentado pelo patrocínio de Maria, matriz da cidade de Sacramento, a pedido de Dom Aloísio Roque.

Ainda como pároco em Sacramento, recebeu o título de monsenhor em 1º de março de 2012, com celebração presidida por Dom Aloísio Roque, concelebrada por Dom José Moura, da Diocese de Guaxupé, Dom Antônio Braz Benevente, da Diocese de Jacarezinho, e na presença de muitos padres, familiares e amigos. Em 2013, a pedido do arcebispo Dom Paulo Mendes Peixoto, voltou para Uberaba para assumir a reitoria do Seminário São José temporariamente, auxiliando pastoralmente a paróquia de Nossa Senhora do Rosário. Depois, cuidou do processo de criação da Paróquia de Santa Edwiges, criada em setembro de 2013 e, ainda a Catedral. nesse ano, foi nomeado diretor da Rádio Metropolitana e assessor da Pastoral da Comunicação – PASCOM, cargos que ainda ocupa.

Em 18 de outubro de 2013, foi nomeado pároco da Catedral por Dom Paulo Mendes Peixoto e assumiu o cargo em celebração presidida pelo arcebispo, que contou com a presença do arcebispo emérito Dom Aloísio Roque, muitos presbíteros, diáconos, religiosos e autoridades civis, além de seus familiares e amigos. Monsenhor Valmir, no primeiro mês como pároco, conheceu os membros dos Conselhos Administrativo e Pastoral da Catedral e os Ministros da Eucaristia.

Iniciou melhorias no templo, em dezembro de 2013, com a instalação das câmeras de segurança no escritório, igreja e salão paroquial.

Iniciou em 2014 a reestruturação pastoral e administrativa, que continua até hoje. A reestruturação pastoral iniciou com a Catequese, as pastorais do Batismo, dos Noivos, Familiar, do Dízimo, da Juventude, da Liturgia, tendo havido o fortalecimento dos Ministros da Eucaristia e da Pastoral da Saúde. Foram realizados dois encontros de casais, o FAROL 1 e 2, o que fortaleceu e aumentou os membros da Pastoral Familiar, encontro que em 2019 teve sua 7ª edição. Atualmente, são cerca de 140 casais divididos em 18 grupos.

Fez algumas melhorias no patrimônio da Catedral com a ajuda dos paroquianos, como a instalação de elevador no prédio que abrigou a FACTHUS de 2009 até julho de 2020, a reforma e construção de sanitários e bebedouro ao lado da sacristia para que os fiéis pudessem utilizá-los com tranquilidade.

Investiu na melhoria do sistema de som da igreja, adquirindo novas caixas de som, amplificador e um rack para que a mesa de som e potências pudessem ficar mais bem instaladas na sacristia, além de consertar as caixas de som da porta da igreja. A constante manutenção desses equipamentos beneficia as celebrações.

O escritório, salão paroquial e as salas de catequese passaram por melhorias, com a aquisição de novos equipamentos, móveis e divisão do espaço para que as pessoas pudessem ser melhor atendidas, a catequese pudesse oferecer mais conforto aos catequizandos e o salão paroquial receber melhor as pessoas para as formações, reuniões e encontros. Esses espaços, móveis e equipamentos passam sempre por revisões para que o conforto e agilidade possam ser garantidos.

Preocupado com a manutenção do acervo histórico e documental, iniciou a restauração dos primeiros livros de batismo e de tombo, a fim de que a preservação pudesse ser garantida, além de facilitar o manuseio, pois os livros de batismo, principalmente, são sempre consultados para a emissão de certidões de batismo ou pesquisas. Além da restauração, por meio do Arquivo Público de Uberaba foi feita a digitalização dos livros de batismo para a consulta tornar-se mais acessível àqueles que buscam diversas informações, como, por exemplo, construção da árvore genealógica, um dos pedidos frequentes no escritório paroquial.

A percepção de restauro e manutenção dos objetos litúrgicos, conservando as peças originais e históricas também são uma preocupação constante, principalmente pelo fato de termos peças que atravessam décadas. Nessa perspectiva de preservação da memória e dos objetos, podemos lembrar o restauro das imagens que embelezam a Catedral. A maior parte das restaurações das imagens e das estações da Via-Sacra foram feitas graças a doações dos paroquianos, assim como a restauração da gruta de Nossa Senhora de Lourdes que teve, em virtude de ser o local indicado para a queima de velas, sua arquitetura prejudicada. A Capela do Santíssimo também passou por restauro, nova pintura e iluminação.

A parede onde estão fixados os quadros dos bispos que foram enterrados na cripta da Catedral também foi restaurada e pintada. As demais imagens, Imaculada Conceição (pequena), Senhor Morto, Crucificado e Senhor dos Passos foram restauradas com os próprios recursos da paróquia, bem como a parede onde estão fixados os quadros do bispo e arcebispos sepultados. Já as doações para a restauração, pintura e iluminação da Capela do Santíssimo foram de Carlos Alberto Gonzaga, Marilene Gotti e Deise Aparecida. O restauro, pintura e velário da gruta de Nossa Senhora de Lourdes foram doados pela grande devota, Dona Abadia.

Algumas imagens foram restauradas por Célia Ferreira, da loja Artes Santos Reis, e a maioria dos restauros das imagens, inclusive as que estão no jardim e escadaria, bem como a Capela do Santíssimo, gruta e pintura da parede da cripta foram feitas por Fabiano Augusto dos Santos, artista que inclusive participou também da pintura e restauro do Santuário da Medalha Milagrosa e da Paróquia Santa Teresinha.

A vida paroquial foi ganhando estabilidade e novos adeptos com a chegada de novos paroquianos. Em 2015, foi estruturada a Pastoral da Comunicação na paróquia e o informativo paroquial, o Jornal Clarim começou a ser reimpresso. Nesse ano foi realizado o primeiro encontro de jovens “Caminho Novo”.

Houve a criação do Projeto Família Madrinha que durou até o primeiro semestre de 2020, contemplando a Creche Frei Gabriel de Frazzanó. Esse projeto objetivou favorecer a valorização sócio humana das crianças e de seus familiares, além de ajudar financeiramente em algumas despesas, como material pedagógico.

Houve o início do Projeto Cesta Básica que hoje ajuda mensalmente mais de 50 famílias em situação vulnerável. O objetivo foi também de promoção sócio humana para os contemplados. Assim, outras pessoas puderam ser ajudadas.

Em 2015, a Igreja vivenciou o início do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, que se estendeu por todo ano de 2016. Tal vivência marcou a vida paroquial de muitos modos, principalmente por ser uma das igrejas referência da peregrinação. A comunidade teve momentos de formação, caminhada penitencial e a chamada “24 horas com o Senhor” que manteve a Igreja aberta e com atividades por 24 horas contínuas.

Ainda sobre a vida pastoral, podemos dizer que durante o período quaresmal e o Advento, o pároco sempre propõe um gesto concreto como símbolo da vivência desses períodos. Desde 2015 vários lugares e pessoas foram beneficiadas por essas campanhas que vão desde itens de higiene corporal, alimentos a recursos que são revertidos em compra de material de construção ou convertidos em melhorias no próprio patrimônio da

paróquia. Podemos citar como exemplo a doação do novo telhado para a Paróquia São Paulo Apóstolo que teve todo seu telhado destruído após uma tempestade, as Casas de Acolhidas São Pio, Anjos do Bem, Madre Tereza de Calcutá e outras famílias que participam da vida comunitária.

Três grandes projetos foram executados durante os seis primeiros anos do paroquiato de Monsenhor Valmir. Um deles foi a troca do telhado e da fiação elétrica da Catedral. Houve remoção das antigas telhas, substituição do madeiramento, troca de calhas, rufos e condutores.

Posteriormente, foram colocadas novas telhas impermeabilizadas. As infiltrações estavam comprometendo o interior do templo e deteriorando a pintura. Foi trocada toda a estrutura elétrica, pois antes era “fiação de pano”, modelo utilizado nas construções antigas.

O projeto da troca do telhado e da fiação elétrica foi custeado com a realização de um bingo que sorteou um carro 0 km. Para a realização do bingo, foi feita uma campanha que contou com a doação de paroquianos e empresas para a compra do carro e aporte dos gastos com a logística do sorteio.

Foram vendidas mais de 10.000 cartelas, tendo os paroquianos se mobilizado na venda em diversos pontos, até mesmos feiras e apresentações culturais. No dia do sorteio, 7 de maio de 2017, foi realizada uma quermesse de confraternização dos paroquianos que se dedicaram à venda das cartelas que praticamente aconteceu em apenas quatro meses. Os recursos angariados com a venda das cartelas e realização da quermesse foram totalmente revertidos à reforma proposta e ao início da execução do Projeto de Incêndio.

A execução do Projeto de Incêndio para a obtenção do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) foi outro grande projeto. Com a exigência do Corpo de Bombeiros para que espaços públicos e de grande circulação fossem regulamentados com adequações para o combate a incêndio, a Catedral por mais de dois anos fez as adaptações, o que ocorreu em duas etapas.

Na primeira etapa, foi exigida a instalação de extintores de incêndio, corrimãos e guarda-corpo. A segunda foi iniciada com a instalação de caixa d'água com capacidade de 10.000 litros, seis hidrantes, sendo dois simples e dois duplos, ligados diretamente à caixa d'água.

Para o custeio do Projeto de Incêndio foi executado o Projeto Renova Catedral, iniciando em 2018 e terminando em outubro de 2019. Os recursos provenientes desse projeto foram destinados também à reforma e pintura da área externa da Catedral.

O Projeto Renova Catedral se constituiu de sorteios mensais pelo período de um ano, sendo nove prêmios em dinheiro, duas motos e um carro 0 Km. A forma de angariar fundos e gerar o lucro estimado para o custeio foi a criação de adesões a serem feitas. Cada adesão gerou doze parcelas a serem pagas mensalmente. Houve mais de 500 adesões de paroquianos e outros que quiseram contribuir com o projeto. Mês a mês, foram realizados os sorteios dos prêmios e a arrecadação dos recursos.

Os agentes de pastorais e paroquianos foram essenciais para a realização de tais projetos nas doações, na articulação ou mesmo no trabalho voluntário oferecido. Foi passada toda história da paróquia, desde sua criação em 1820.

Mesmo que os párocos sejam as figuras mais lembradas, o esforço e empenho da

comunidade são primordiais para que o patrimônio seja preservado, além do que a Igreja se propõe: lugar de acolhida, encontro e vivência da religião.

Nesse período, a Catedral continuou sendo espaço de celebração, homenagens e lugar de unidade. As celebrações da Missa da Unidade, que o Arcebispo celebra com todos os membros do clero na Semana Santa e nela abençoa os Santos Óleos, a presença do Arcebispo e membros do clero na comemoração do aniversário de 110 anos da Arquidiocese em 2017, Corpus Christi, o início da peregrinação da imagem de Nossa Senhora da Aparecida em comemoração do jubileu dos 300 anos também em 2017 são exemplos que corroboram essa concepção.

Em 2016, a Catedral foi contemplada com o prêmio de ser uma das sete maravilhas da cidade. A premiação foi feita pela Fundação Cultural e contou com a votação popular. Houve, também a homenagem especial por ocasião dos 200 anos, feita pela Câmara Municipal. A comemoração foi idealizada pelo pároco e seus Conselhos, administrativo e pastoral.

Como podemos ver, durante o paroquiato de Monsenhor Valmir as ações permearam simultaneamente o aspecto espiritual, pastoral e administrativo. Isto colaborou para que a paróquia pudesse ser vista sempre repleta de fiéis e, ao mesmo tempo, relembrando seu sentido de unidade, de matriz, que trouxe aos uberabenses e fiéis, em tantos momentos de sua história, esse sentido de pertencimento e fraternidade.

Vale ressaltar que para a comemoração dos 200 anos feita em 2020 a Catedral está com todas as imagens restauradas, o telhado e a estrutura elétrica totalmente trocados, além da reforma e pintura externa. Sob o aspecto pastoral, além da consolidação da Pastoral Familiar, maior força na paróquia, pois dela partem os casais que são os componentes em sua maioria das demais pastorais, temos as obras sociais com diversos trabalhos concluídos e em andamento, contribuindo de maneira direta com a comunidade paroquial e também com a sociedade de modo geral, tendo em vista que os Projetos se estendem por muitos bairros e instituições, para além do território paroquial.

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