História da Paróquia

ASPECTOS HISTÓRICOS DA IGREJA MATRIZ DE UBERABA CATEDRAL METROPOLITANA: 1820 – 2021

 

A história da Igreja, no município de Uberaba, teve início por volta de 1812 quando se oficializou a fundação da primeira capelinha no Arraial de José Francisco de Azevedo. Este, por sua vez, havia se aposseado de uma sesmaria (grande gleba de terras) próximo ao córrego da Olaria no Lajeado, onde hoje se localiza o bairro Santa Rosa de Lima, distante da sede municipal cerca de 20 km. Essa capelinha teve como padroeiros Santo Antônio e São Sebastião, e era filiada à Matriz do Desemboque, que tinha como vigário responsável pelas capelas e Igrejas do Sertão da Farinha Podre o cônego Hermógenes Cassimiro de Araújo Bruonswich.

A posição social e de administrador da região ocupada pelo Major Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira atraiu os moradores do povoado da Capelinha do Azevedo para o nascente arraial de Uberaba, por volta de 1816 e 1817. Tendo em vista a necessidade de um orago para a população, por determinação de Major Eustáquio, foi construída uma segunda capela no local onde hoje se localiza a Escola Estadual Minas Gerais, na Praça Frei Eugênio. Esta capela, agora Ermida, foi inaugurada no dia 2 de março de 1820, marcando assim o nascimento oficial da Freguesia de Santo Antônio e São Sebastião, atual cidade de Uberaba. A Igreja passou a ocupar lugar de destaque, e os moradores passaram a construir casas no seu entorno.

No mesmo lugar, foi construída outra, a terceira Igreja, maior e do mesmo material, inaugurada com a primeira festa de São Sebastião, no dia 20 de janeiro de 1828 que serviu aos cultos até 1834. Ela ficava dentro dos muros do antigo cemitério de São Miguel. Sua demolição data de 1856. O primeiro vigário nomeado de Uberaba foi o Cônego Antônio José da Silva, que aqui permaneceu até o ano de 1855.

 

A CONSTRUÇÃO DA ATUAL IGREJA MATRIZ

 

Sua história passou por várias gerações de todas as classes sociais da cidade e da região. A atual Igreja Matriz de Uberaba não é a primeira edificada para o exercício do culto de seus fiéis. Com a mesma invocação de Santo Antônio e São Sebastião, lhe antecederam três templos, dos quais não restam vestígios algum. A atual Igreja Matriz começou a ser construída por volta de 1827 ainda sob as orientações do Cônego Vigário Silva. Anteriormente, por volta de 1825, já se pensava em organizar comissões para angariar donativos e construir a nova Igreja, que seria um edifício de grande vulto. A primeira doação veio de Major Eustáquio, no mesmo ano, deixando livre um escravo seu de nome Manoel Ferreira, para fazer as obras de ferro da nova Matriz, e também quatro arrobas de ferro e uma de aço, para o começo das obras. Com o seu falecimento, em 1932, as obras da Igreja ficaram paralisadas por um longo tempo.

Em 1847, as obras ainda eram um esqueleto, segundo Borges Sampaio: “tendo apenas o telhado sobre esteios e baldrames de aroeira engradados, sem paredes e nem assoalhos”. No ano de 1848, o Capitão Joaquim Antônio Rosa assumiu, a pedido do povo, a responsabilidade pelas obras, a capela-mor de taipa foi derrubada e reconstruída com os mesmos materiais do corpo da Igreja - paus a pique, ripas, barro e reboque, acrescentando-lhe as coxias laterais. Ainda em construção, entre os anos de 1853 e 1854, foram celebrados na Matriz nova os primeiros ofícios religiosos. Frei Eugênio, em 1857, construiu uma vasta sacristia, dotando-a com paramentos e alfaias. O artista Joaquin Francisco de Ananias, em 1859, aumentou a Igreja para a frente, construiu duas torres e o coro, no centro, o arco-cruzeiro e o altar-mor, embora as torres não foram acabadas ficando um longo período em esqueleto. No ano de 1865, passando por Uberaba, o Visconde de Taunay, juntamente com as tropas que iam para a Guerra do Paraguai, viu a situação da Igreja e assim a descreveu:

 

A Matriz local, que é o edifício de maior vulto, está em construção. É toda feita com conglomerado de ferro. Desenhei-a a bico de pena. É atarracada, com grande largura, excessiva para altura de suas torres, o que não torna de toda bela. À frente há um pequeno adro, a que dá acesso a uma escada com certo número de degraus. Em todo o caso, destaca-se a Matriz no seu largo, onde só existem casinhas modestas. (TAUNAY, 1865).

 

Entre os anos de 1867-1868, as torres foram revestidas de tijolos, argamassa e óleo. Nela foram colocados, em 1880, dois sinos de cerca de trinta e cinco arrobas cada um, sendo destinado ao serviço do culto, fundido em Uberaba, por José Carlos Onofre. No ano de 1894, Cônego Aurélio Elias de Souza, fez uma reconstrução na Matriz para a chegada do primeiro Bispo, Dom Eduardo Duarte Silva. Remodelada, ela se tornou a Catedral de Uberaba por onze anos, até ser inaugurada em 1907, a Igreja do Sagrado Coração de Jesus (onde hoje é a Igreja da Adoração Perpétua) para ser a Igreja Matriz de Uberaba.

Em 1899, foram demolidas as duas torres e edificada uma única, com frontispício em estilo Manuelino, desenhado pelo engenheiro Ataliba Vale, e executado pelo construtor Manoel Barcala Bergero. Nela foi colocado o regulador público de quatro mostradores, construído na Suíça, sob projeto desenhado pelo relojoeiro Florêncio Forneri e pelo mesmo assentado.

Com a chegada do Bispo Dom Antônio Almeida Lustosa, em 1926, providenciou-se o retorno do título de Igreja Catedral para a Igreja Matriz de Santo Antônio e São Sebastião, porém o título de paróquia de Santo Antônio e de São Sebastião no mesmo ato foi transferido para a Catedral do Sagrado Coração de Jesus, conhecida atualmente como Adoração Perpétua.

Mas era preciso dotar a cidade e o bispado de uma Matriz digna e, assim, o Padre Alaor Porfirio de Azevedo deu início às obras de reforma da Igreja, com projeto do engenheiro Emanuel Gianni. Boa parte do antigo templo foi demolido. As obras foram iniciadas em 1933 e recebeu o estilo gótico que a embelezou. Neste mesmo ano a imagem do Sagrado Coração de Jesus foi colocada na torre da Igreja.

Na gestão de Padre Jacinto, a Catedral recebeu diversas reformas com a ajuda da comunidade uberabense. Ela se tornou o retrato da sociedade local. A inauguração da parte nova da Matriz aconteceu em 02 de outubro de 1935, já no bispado de Dom Frei Luiz Maria de Sant’Ana.

Duas capelas laterais formando as alas laterais da nave ou cruz latina. Uma com altura de madeira muito bem trabalhada, com a imagem de Nossa Senhora Imaculada Conceição. A outra, ocidental, com o mesmo acabamento, com a imagem de São José. No fundo da igreja, ficavam o batistério e a gruta de Nossa Senhora de Lourdes. Nas naves, além das duas capelas, em cada uma, dois nichos salientes, para o lado externo da Igreja, ficando nos orientais Santo Antônio e o Grupo do Calvário e nos fronteiros, São Sebastião e o Menino Jesus. Em 19 de junho de 1939, foram inaugurados três belíssimos vitrais de Santo Antônio doados à Catedral, bem como, a bela capela e altar de mármore de Santo Antônio.

A primeira fase dos serviços de reconstrução foi inaugurada no dia 3 de outubro de 1936. A reconstrução continuou com padre Saul Amaral (1941 – 1947). Os vitrais mostram temas bíblicos e o atual altar-mor foi construído nos anos de 1960, com projeto de Hamleto Belloni da Marmoraria Progresso Santa Rita de Ribeirão Preto-SP.

Essa reconstrução foi realizada em duas fases, compreendendo as duas sacristias, a capela-mor ou presbitério, as alas da nave principal, estendendo-se em direção à frente. As abóbodas foram executadas em tela deployée e armação de ferro à moda de estuque. Já na segunda fase, as abóbadas foram executadas em laje de cimento armado, segundo o historiador Hildebrando Pontes (1939). E assim cada vigário que passou pela Igreja Matriz foi embelezando-a, emoldurando-a, transformando-a neste belo exemplo de arquitetura que embeleza o centro da Praça Rui Barbosa.

História da Paróquia

 

 

 

 

Vista da torre frontal da Igreja, inaugurada em 1899. Antigo Largo da Matriz. Fonte: Arquivo Público de Uberaba.

 

Maria Aparecida Rodrigues Manzan  - Historiadora

 

 

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