Bispos e Arcebispos

Bispado de Dom Eduardo Duarte Silva, 1º Bispo:

Dom Eduardo Duarte Silva foi o sexto Bispo de Goiás, nascido em 27 de janeiro de 1852, em Florianópolis-SC, filho de Carlos Duarte Silva e Maria Leopoldina. Foi ordenado presbítero em 19 de dezembro 1874 pelo cardeal Patrizzi. Em 1890, o Papa Leão XIII nomeou seu amigo, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti para assumir o Bispado vacante de Goiás. Entretanto, em sua viagem a Roma, acompanhando Dom Joaquim, o Cônego Eduardo Duarte Silva foi convidado a assumir a Diocese de Goiás, que havia sido primeiramente oferecida a Dom Joaquim, que a recusou.

Então, o Papa Leão XIII solicitou que o Cônego Eduardo assumisse o Bispado de Goiás. De imediato, ele se negou; entretanto, ao compreender a necessidade pastoral, aceitou assumir a Diocese. Sua ordenação episcopal deu-se em Roma em 8 de fevereiro de 1891, tendo escolhido como lema episcopal Confido in Domini (Confio no Senhor). Esteve à frente da Diocese de Uberaba até 1923, quando renunciou em virtude da precariedade de sua saúde. Quando ainda Bispo de Goiás (diocese à qual Uberaba pertencia), transferiu a sede do episcopado para Uberaba. É importante salientar que o episcopado brasileiro até o início do século XX era formado principalmente por prelados que constituíam uma elite eclesiástica brasileira. Dom Eduardo foi um exemplo, primeiramente por ser de família abastada de Santa Catarina e, após mudar-se para o Rio de Janeiro, ser nomeado Capelão da família Imperial.

Também pode ser conferida a partir de sua proximidade com o primeiro cardeal latino-americano, seu amigo, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, que esteve em Uberaba em fevereiro de 1916, na celebração dos 25 anos de episcopado de Dom Eduardo.

Como Bispo Diocesano de Goiás, celebrou diversas vezes na Catedral. Por meio de suas cartas dirigidas às paróquias, orientou os fiéis em diversos momentos. Após a criação da Diocese, organizou a Cúria Diocesana, centro administrativo da diocese. Para tanto, foi necessária a criação do cabido diocesano que é, nos moldes atuais, uma espécie de Conselho, sendo formado por vários padres que, ao fazerem parte do cabido, recebiam o título de cônegos. O cabido tinha como principal atividade auxiliar o Bispo em suas funções administrativas, mas também pastorais, para que o Bispo pudesse desempenhar sua função com maior tranquilidade.

Antes de ser nomeado bispo de Uberaba, Dom Eduardo foi responsável por articular a construção do templo que seria a primeira catedral da diocese de Uberaba, que recebeu o título de Paróquia do Sagrado Coração de Jesus em 1905. É a atual igreja do Santíssimo Sacramento (antiga Adoração Perpétua).

O primeiro bispo de Uberaba foi bastante prestigiado. Ganhou dos fiéis a imagem do Sagrado Coração de Jesus que está nas escadarias da Catedral, em virtude da comemoração de seus 25 anos de ordenação episcopal. Além disso, deu nome a uma escola e a uma praça da cidade.

Com a construção da cripta dos Bispos em 1983 na Catedral, seus restos mortais foram transladados para ela em 26 de novembro de 1983, após pedido feito à Arquidiocese do Rio de Janeiro pelo arcebispo Dom Benedicto, idealizador da construção da cripta. A Catedral tem preservados em bom estado o báculo e o cálice que pertenceram a Dom Eduardo e que são utilizados em celebrações presididas pelo arcebispo atual.

Bispado de Dom José Tupinambá da Frota, 2° bispo:

Dom José Tupinambá da Frota nasceu em 10 de setembro de 1882, em Sobral- CE, filho de Manoel Artur da Frota e Raimunda Artemísia Rodrigues Lima. Recebeu o título de doutor em Filosofia e Teologia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Foi ordenado presbítero em 29 de outubro de 1905, bispo em 29 de junho de 1916 e nomeado Bispo da Diocese de Sobral.

Foi nomeado Bispo de Uberaba em 6 de abril de 1923. Entretanto, antes de tomar posse, voltou para a Diocese de Sobral em 10 de março de 1924 e nela permaneceu até 1959, quando faleceu.

Bispado de Dom Antônio de Almeida Lustosa, 3º bispo:

O terceiro Bispo da Diocese de Uberaba, nomeado pelo papa Pio XI, foi Dom Antônio de Almeida Lustosa, nascido em 11 de fevereiro de 1886, na cidade de São João Del Rei-MG. Era filho de João Batista Pimentel Lustosa e dona Delfina de Almeida Lustosa. Foi ordenado presbítero em 1912, por Dom Epaminondas de Ávila e Silva, Bispo de Taubaté. Com o lema episcopal: Sub umbra alarum tuarum (Sob a sombra de tuas asas), foi ordenado Bispo em 11 de fevereiro de 1925, na Igreja do Carmo, em sua cidade natal, sendo ordenante principal Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Bispo de Goiás, salesiano de Dom Bosco.

Durante o período de 1925 a 1928, esteve à frente da Diocese de Uberaba e, além de preocupar-se com a realidade pastoral das paróquias, percebeu a carência de vocações sacerdotais. Reabriu, então, o Seminário Diocesano e inseriu em diversas paróquias os padres salesianos.

Foi Dom Antônio que criou a Associação São José em abril de 1925, que tinha como responsabilidade conseguir recursos para a manutenção do Seminário. Após esse fato, o Seminário São José passou a receber este nome. O Seminário anterior era chamado de Santa Cruz, por ter sido trazido por Dom Eduardo de Goiás. O Seminário São José ficou no mesmo local do outro, no antigo prédio do Ginásio Uberabense, no Alto das Mercês, ao lado da igreja do Santíssimo Sacramento.

No que se refere à Catedral Metropolitana, foi Dom Antônio que solicitou à Santa Sé a transferência de seu título. Tal solicitação foi aceita em 20 de maio de 1926, e a conhecida popularmente por Igreja Matriz recebeu o título de Catedral, enquanto a paróquia construída no alto do bairro das Mercês passou a ser chamada de Paróquia de Santo Antônio e São Sebastião. Em 17 de dezembro de 1928, Dom Antônio foi nomeado bispo de Corumbá, transferindo-se no ano seguinte. Ficou em Corumbá até 1931, ano de sua nomeação como Arcebispo do Belém do Pará, onde permaneceu até 1941, quando foi nomeado Arcebispo de Fortaleza. Em 1963, renunciou. A Arquidiocese de Fortaleza abriu na década de 1990 o processo para sua canonização, ainda em análise pela Santa Sé. Para esse processo, um padre pesquisador visitou o arquivo da Arquidiocese de Uberaba em 2019, a fim de colher informações sobre Dom Antônio. Foi um grande bispo que se preocupou principalmente com a vivência da fé e do apelo eucarístico, virtudes ligadas à ordem salesiana, à qual pertenceu.

Bispado de Dom Frei Luiz Maria de Santana, 4º bispo:

Dom Frei Luiz Maria de Santana foi o quarto bispo de Uberaba. Nasceu em 21 de março de 1886, recebendo o nome de batismo de Antônio Colturato, em Santana, pertencente à província de Pádua (Itália), filho de Luiz Colturato e Jacinta Boldrini Colturato. Iniciou o noviciado em 1904, na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos assumindo o nome de Frei Luís Maria de Santana. Sua profissão religiosa foi em 26 de fevereiro de 1908 e sua ordenação presbiteral, presidida pelo arcebispo de São Paulo Dom Duarte Leopoldo e Silva, deu-se em 6 de março de 1909. Foi nomeado bispo de Uberaba pela bula papal Comissum humilitatis, de Pio XI. Sua ordenação episcopal ocorreu no dia 4 de outubro de 1929, na Igreja Imaculada Conceição dos o ordenante principal foi o próprio Dom Duarte e seu lema episcopal, In Omnia et Omnibus Christus (Cristo tudo para todos).

Tomou posse na Diocese de Uberaba em 3 de novembro de 1929. Foi atuante em seu episcopado: “Montou oficinas próprias para o órgão diocesano Correio Católico, [...] promoveu reforma radical no Seminário, [...] adquiriu o novo Palácio Episcopal, [...] promoveu a construção de doze novas igrejas matrizes e iniciou a reforma na Catedral.

A reforma da Catedral, iniciada no paroquiato do Padre Alaor Porfírio, foi bastante incentivada e articulada por Dom Frei Luiz Maria de Santana, que encontrou a Catedral bastante deteriorada. Organizou o primeiro anuário diocesano, contendo as informações de todas as paróquias e padres do bispado. Além disso, preocupado com o futuro da Diocese, empenhou-se na manutenção do Seminário São José.

Em 1934, foi feito um acordo com a Arquidiocese de Belo Horizonte para garantir a qualidade do ensino dos cursos de Teologia e Filosofia.

Na Carta Pastoral de sua despedida, afirmou: “O Seminário diocesano representa uma questão vital para a vida e o desenvolvimento da Diocese. Para nós, tem sido a menina de nossos olhos.” Permaneceu por quase nove anos, sendo nomeado para a Diocese de Botucatu, em 2 de abril de 1938, onde esteve até falecer em 1946.

Bispado de Dom Alexandre Gonçalves do Amaral, 5º bispo e 1º arcebispo:

O quinto bispo e primeiro arcebispo de Uberaba foi Dom Alexandre Gonçalves do Amaral, nascido na cidade de Carmo da Mata - MG, no dia 12 de junho de 1906, filho de Benjamin Gonçalves da Costa e Maria Cândida do Amaral Costa.

Sua ordenação presbiteral foi celebrada em 22 de setembro de 1929, na Catedral de Nossa Senhora da Boa Viagem, Belo Horizonte. Foi nomeado bispo pelo papa Pio XII e a ordenação episcopal deu-se no dia 29 de outubro de 1939, na mesma Catedral onde fora ordenado presbítero e pelo mesmo bispo, Dom Antônio dos Santos Cabral.

Sob o lema episcopal: Ut Vitam Habeant (Para que tenham vida), tomou posse na diocese de Uberaba, no dia 8 de dezembro de 1939. Durante seu episcopado, em 1955, a Diocese de Patos de Minas foi criada, sendo seu primeiro bispo Dom José André Coimbra. Em 1961, a Diocese de Uberlândia foi criada e seu primeiro bispo foi Dom Almir Marques Ferreira, antigo pároco da catedral de Uberaba.

O papa João XXIII elevou a Diocese de Uberaba a Arquidiocese, até então sufragânea da Arquidiocese de Belo Horizonte, e criou a Província Eclesiástica de Uberaba, em 14 de abril de 1962. A nova província seria composta inicialmente pela Arquidiocese de Uberaba e as dioceses de Patos de Minas, Uberlândia e Paracatu. A Catedral de Uberaba seria elevada ao título de Catedral Metropolitana e Dom Alexandre, consequentemente, elevado a arcebispo.

Tendo participado do Concílio Vaticano II, pediu ao pároco da Catedral que, logo que possível, encomendasse o novo altar-mor para substituir o antigo, dando as novas normas definidas no Concílio. O pároco da Catedral, Monsenhor Olimpio Olivieri, conseguiu atender o pedido do arcebispo e o novo altar foi inaugurado em 1961. Em sua passagem como bispo e arcebispo durante quase 39 anos na Arquidiocese de Uberaba, ficou conhecido por suas homilias na Catedral, sobretudo, na Semana Santa. Além disso, construiu o novo prédio que abrigaria o Seminário São José até o início da década de 1980, hoje chamado Centro Pastoral João Paulo II, sede da Cúria Metropolitana.

A necessidade dessa construção partiu do crescente aumento de seminaristas. A planta foi de autoria do engenheiro de Belo Horizonte Silviano Azevedo Brandão, sendo mestre de obras o uberabense João Batista. O lançamento e bênção da pedra fundamental ocorreram em 10 de outubro de 1948.

Para a construção do novo prédio, várias ações partiram do clero e dos leigos da Arquidiocese, a fim de levantar recursos. Dentre elas, podemos destacar os padres que percorreram as cidades de Patos de Minas, Uberlândia e Ituiutaba; a Associação São José, criada em 1920, manteve-se fiel a seu compromisso, além das exposições de gado feitas na Praça Rui Barbosa. Com a inauguração do prédio em 27 de janeiro de 1952, as atividades foram transferidas de Belo Horizonte para Uberaba. Em 1962, o Seminário contava com mais de 60 seminaristas. Todavia, em razão da crise política e econômica do Brasil durante a década de 1960, a situação financeira do Seminário era grave.

Em 1964, Dom Alexandre pediu a alguns leigos que o ajudassem e, a partir daí, foi criada a Sociedade dos Amigos do Seminário – SAS que se manteve até 1976.

Durante seu episcopado, foi ao Vaticano algumas vezes em virtude da Visita Ad Limina, que constitui uma visita quinquenal do bispo ou arcebispo à Santa Sé, para que, em uma audiência com o Santo Padre, possam transmitir-lhe um pouco da realidade diocesana. Essa visita é uma tradição da Igreja Católica. Nos primórdios da história da Igreja, era enviado um relatório, mas foi substituído pela visita dos bispos. Essas visitas são organizadas pelos regionais da CNBB.

Em março de 1955, Dom Alexandre foi anfitrião do Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, durante sua visita à cidade de Uberaba.

Durante o episcopado de Dom Alexandre, houve o início de uma das grandes devoções à Virgem Maria, sob o título de Nossa Senhora das Graças, a Medalha Milagrosa. A cada ano aumenta o número de fiéis na cidade de Uberaba e participantes da Novena, celebrada em novembro. Com a chegada das Irmãs Concepcionistas em 1949, foi inaugurado um pequeno mosteiro e, em 1951, as irmãs transferiram-se para o mosteiro atual. Em 1957, foi lançada a pedra fundamental do Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa. Em 07 de janeiro de 1961, o Mosteiro foi inaugurado e em 26 de novembro do mesmo ano, o Santuário. Tais fatos foram viáveis, principalmente, graças ao estímulo dado por Dom Alexandre, que contribuiu na divulgação da devoção, e ao apoio dado às obras materiais e espirituais das Irmãs Concepcionistas.

O primeiro arcebispo metropolitano, Dom Alexandre, recebeu em 1969 Dom José Pedro de Araújo Costa para ser seu coadjutor, a fim de ajudá-lo nas atividades pastorais e administrativas. Ele era até então bispo da Diocese de Caitité, na Bahia. Nascido na cidade de Serro-MG, em 19 de outubro de 1913, era filho de José do Nascimento Costa e Rita Cândida de Araújo Costa. Foi ordenado presbítero em 6 de dezembro de 1936 e nomeado bispo de Caitité pelo papa Pio XII em 1957, recebendo a ordenação episcopal em 15 de setembro do mesmo ano, de Dom Armando Lombardi, Núncio Apostólico.

Seu lema episcopal era: Veritas liberabit vos (A verdade vos libertará). Participou do Concílio Vaticano II, sendo nomeado bispo coadjutor de Uberaba pelo papa Paulo VI, tendo tomado posse em 10 de maio de 1970.

Como Bispo coadjutor, Dom José Pedro auxiliou o arcebispo nas celebrações do sacramento da crisma nas mais diversas paróquias da Arquidiocese e em outras celebrações. Assessorou as pastorais arquidiocesanas e acompanhou o Seminário São José que em 1972 teve as atividades provisoriamente encerradas com a crise de vocações religiosas. Sua principal tarefa foi acompanhar as transições litúrgicas previstas a partir do Concílio Vaticano II. Em 1978, Dom Alexandre renunciou ao arcebispado em razão da idade avançada. Dom José Pedro também renunciou a seu cargo de bispo coadjutor.

Durante seu período como arcebispo emérito, Dom Alexandre auxiliou Dom Benedicto nas funções pastorais da Arquidiocese quando solicitado. Contudo, dedicou-se mais ainda a sua produção literária.

Em 22 de setembro de 1989, celebrou seu 60º aniversário de ordenação sacerdotal e também o 50º aniversário de ordenação episcopal. A solenidade foi realizada na Catedral e contou com a presença de 22 bispos e do cardeal Dom Lucas Moreira Neves, que fora ordenado presbítero por Dom Alexandre em 9 de julho de 1950.

Viveu como Arcebispo emérito até 5 de fevereiro de 2002, dia de sua morte, aos 95 anos de idade. Foi bispo por quase 62 anos. Está sepultado na cripta dos bispos na Catedral e em 2006 foi celebrado na Catedral o centenário de seu nascimento. Posteriormente, houve uma exposição de fotos e objetos sacros que pertenceram a ele. Seu busto se encontra na entrada principal do Centro Pastoral João Paulo II, que ele construiu.

Não podemos esquecer que Dom Alexandre teve grande participação e influência na política local. Grande orador, membro fundador da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, conseguia por meio de sua fala explanar de forma convincente sua fé e religiosidade. Durante seu episcopado, a Igreja precisou posicionar-se de forma séria e determinada para enfrentar as dificuldades políticas e econômicas, além do falso ordenamento social. O período da Ditadura Militar que o Brasil viveu exigiu grandes enfrentamentos. Em razão dos dogmas e ensinamentos da fé católica, muitos bispos pelo Brasil precisaram enfrentar o regime militar, sobretudo quanto à vida e dignidade humanas.

Dom Alexandre por diversas vezes precisou posicionar-se em favor do clero que, inspirado pelos pensamentos da época, era perseguido na defesa do Evangelho.

Bispado de Dom Benedicto de Ulhôa Vieira, 6º bispo e 2º arcebispo:

O segundo arcebispo e sexto BIspo de Uberaba, nomeado pelo papa João Paulo II, foi Dom Benedicto de Ulhôa Vieira, nascido em Mococa-SP, em 9 de outubro de 1920, filho de José Teodoro Vieira e Leonor de Ulhôa Coelho Vieira. Foi ordenado presbítero em 8 de dezembro de 1948 por Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta. Como padre, atuou na Arquidiocese de São Paulo, exercendo os cargos de professor, vice-reitor e reitor da PUC-SP e, posteriormente, capelão da referida instituição.

A restauração administrativa pela qual a Arquidiocese de São Paulo passou no final da década de 1960 e início da década de 1970 foi sob sua coordenação, a pedido de Dom Paulo Evaristo Arns que o elegeu Vigário-geral da Arquidiocese. Em novembro de 1971, o papa Paulo VI o nomeou bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e sua ordenação episcopal foi celebrada em 25 de janeiro de 1972, com a presidência de Dom Paulo Evaristo Arns.

Seu lema episcopal era In Nomine Domini (Em Nome do Senhor). Como Bispo auxiliar, atuou na região episcopal da Lapa até ser nomeado arcebispo de Uberaba em 14 de julho de 1978.

No dia 19 de julho, quando foi publicada sua nomeação no jornal do Vaticano, o L'Osservatore Romano, escreveu uma carta saudando seus arquidiocesanos. Chegou em Uberaba alguns dias antes de sua posse e foi recepcionado por seu antecessor, Dom Alexandre, no aeroporto de Uberaba. Sua posse em Uberaba ocorreu em 15 de setembro de 1978. A data foi escolhida por ser o dia da comemoração de Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Minas Gerais. A Catedral Metropolitana estava repleta de fiéis, autoridades civis da cidade e contou com a presença de seu amigo e arcebispo, Dom Paulo Evaristo Arns, além de amigos da Arquidiocese de São Paulo. A partir da leitura do Livro de Tombo da Arquidiocese de Uberaba, supervisionada por Dom Benedicto, o dia de sua posse foi de grande alegria e de forte presença eclesiástica. Não apenas contou com padres da Arquidiocese de Uberaba, mas também com 22 bispos e arcebispos vindos das dioceses e arquidioceses vizinhas, e amigos de Dom Benedicto, que vieram prestigiar sua posse.

A Bula Apostólica de nomeação de Dom Benedicto foi lida por Monsenhor Genésio e na celebração Dom Benedicto proferiu um discurso. Em dois momentos, destacou no Livro de Tombo: [...] “venho para ser, na feliz expressão de Paulo VI, o sacramento da unidade: o sinal que significa e realiza a unidade da Igreja Metropolitana de Uberaba. União do povo ao redor de seus padres. União dos presbíteros ao redor do seu bispo” [...] “venho como ministro da graça e do perdão. Trago o gesto largo de quem abençoa, de quem semeia, de quem distribui, de quem santifica em nome do Senhor. Venho para despertar a esperança, para suscitar a coragem, para animar as iniciativas.”

A Catedral sempre foi espaço de atuação do arcebispo e em 26 de agosto de 1979 recebeu o pálio do núncio apostólico do Brasil, Dom Carmine Rocco. O pálio - do latim pallium, manto de lã – é uma vestimenta litúrgica usada na Igreja Católica, consistindo de uma faixa de lã branca colocada sobre os ombros dos arcebispos.

Em 1983, o Arcebispo encomendou uma ampla reforma na Catedral, principalmente no presbitério, altar, capela do Santíssimo, além da construção da cripta dos bispos e arcebispos. Essa reforma foi acompanhada de perto por ele e realizada pela empresa de engenharia, ETEC. Após essa reforma, a cátedra foi transferida para o centro do presbitério, lugar que permanece até hoje. O Arcebispo, ao fazer o levantamento histórico da Catedral, percebeu que o templo não havia sido dedicado por seus antecessores. A Catedral foi dedicada por Dom Benedicto em 15 de novembro de 1984 e contou com a participação de padres da Arquidiocese e muitos fiéis.

Dom Benedicto teve grande atuação também na organização da Igreja, tanto em nível regional, como em nível nacional. Em 1979, foi eleito presidente do Regional Leste II da CNBB. Isto foi importante para a Arquidiocese de Uberaba, pois em setembro do mesmo ano, meses após assumir a presidência do Regional, foi pensado por Dom Benedicto o processo de criação da Diocese de Ituiutaba. Tal articulação partiu do arcebispo e teve o apoio de Dom Estevão Cardoso de Avellar, bispo de Uberlândia, pois o território da Diocese de Ituiutaba surgiu a partir da cessão do território da Arquidiocese de Uberaba e da Diocese de Uberlândia.

No dia 12 de abril, Dom Benedicto foi eleito vice-presidente da CNBB, sendo presidente Dom José Ivo Lorscheiter e Dom Luciano Mendes de Almeida, secretário. Seu arcebispado foi marcado por grande renovação pastoral, iniciando com o Primeiro Plano de Pastoral da Arquidiocese de Uberaba (PAPIU), fruto de assembleias realizadas com o objetivo principal de evangelizar e, consequentemente, reafirmar a presença católica na região. Além do grande contato com seu rebanho, também ficou conhecido pelos inúmeros

sermões poéticos, publicações, dando continuidade a uma tradição iniciada por Dom Alexandre. Além de sua presença constante nas paróquias por meio das visitas pastorais, criou 11 novas paróquias em toda a Arquidiocese: Paróquia de Santa Maria Mãe da Igreja, Paróquia da Ressurreição, Paróquia de Santa Luzia, Paróquia de São José Operário, Paróquia de São Judas Tadeu, Paróquia da Sagrada Família, Paróquia de São Geraldo Magela em Uberaba, Paróquia de São Sebastião e Nossa Senhora Aparecida, em Água Comprida; Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, em Frutal; Paróquia de Nossa Senhora da Abadia, em Pirajuba; Paróquia de Santa Maria dos Anjos, em Delta.

Como Arcebispo, representou a Arquidiocese de Uberaba em diversas visitas Ad Limina no Vaticano, mas seu contato com o Santo Padre também aconteceu no Brasil, quando da visita do Papa João Paulo II, em 1980. O encontro foi na sede da CNBB, em Brasília. Dom Benedicto era presidente do Regional Leste II.

As visitas Ad Limina como se pode conferir pelos relatórios presentes no Acervo da Arquidiocese de Uberaba, eram tratadas por Dom Benedicto com muita seriedade. Eram organizadas pelo Regional Leste II da CNBB e podemos ver Dom Benedicto em uma visita ao papa João Paulo II com demais bispos e arcebispos do Regional. Na década de 1980, Dom Benedicto fez diversas mudanças na Arquidiocese, sobretudo, no campo vocacional. Com a Pastoral Vocacional criada em agosto de 1979, empenhou-se para o aumento das vocações na Arquidiocese. Ordenou em Uberaba pouco mais de 30 presbíteros e um dos feitos para a Pastoral Vocacional foi a construção no bairro Jardim Induberaba, ao lado da Paróquia Santa Luzia, um novo prédio para abrigar o Seminário São José. Com essa construção, a administração da Cúria Metropolitana em 1982 foi transferida do Palácio São Luís para o Centro Pastoral João Paulo II, construído durante o arcebispado de Dom Alexandre, no alto do bairro Mercês. A bênção da pedra fundamental foi feita por Dom Benedicto em 17 de março de 1980 e o prédio foi inaugurado em 1º de maio de 1981.

Em 14 de abril de 1987, no 25º aniversário da elevação de Uberaba a Arquidiocese, assinou o decreto transformando a Paróquia de Nossa Senhora D`Abadia em Santuário. Em 9 de junho de 1987, participou do lançamento do livro “Memória da Arquidiocese de Uberaba” escrito por padre Prata a seu pedido, em razão da comemoração dos 80 anos de criação da Diocese. No dia da comemoração, 29 de setembro, recebeu a visita do Núncio Apóstolico do Brasil Dom Carlo Furno que celebrou uma Missa em Ação de Graças, na Catedral Metropolitana. Sob o aspecto administrativo, criou a tabela de emolumentos de acordo com o salário mínimo para a Arquidiocese, a fim de melhor estipular as taxas para a manutenção dos sacramentos nas paróquias.

Em 24 de setembro de 1989, participou da ordenação de Dom Paulo Sérgio Machado, nomeado bispo de Ituiutaba e deu posse a padre Paulo Porta, como pároco da Catedral. Dom Benedicto sempre fez questão, em suas datas comemorativas, de celebrar na Catedral. Em 1992, celebrou o vigésimo aniversário de ordenação episcopal, que contou com a presença de seu amigo e arcebispo, Dom Paulo Evaristo Arns.

Em 1996, meses depois de completar seus 75 anos de vida, recebeu do Papa João Paulo II a aceitação de sua renúncia na Arquidiocese de Uberaba e a nomeação do novo arcebispo foi feita em 18 de fevereiro de 1996. Dom Benedicto fez a leitura da bula em 28 de fevereiro. O novo arcebispo nomeado foi Dom Aloísio Roque Oppermann, antigo bispo de Ituiutaba. Dom Benedicto, após sua renúncia, auxiliou Dom Aloísio e participou ativamente de ações pastorais da Arquidiocese.

Em 2010, foi concelebrante da ordenação episcopal de Dom Antônio Braz Benevente, no Ginásio Marista. Dom Antônio fora ordenado presbítero em 7 de dezembro de 1985 por Dom Benedicto. O 2º arcebispo de Uberaba faleceu em 3 de agosto de 2014 e foi sepultado na cripta que idealizou.

Bispado de Dom Aloísio Roque Oppermann, 7º bispo e 3º arcebispo:

O terceiro Arcebispo e sétimo Bispo de Uberaba foi Dom Aloísio Roque Oppermann, que havia sido o primeiro bispo da Diocese de Ituiutaba, criada em 1983, com o desmembramento da Arquidiocese de Uberaba e da Diocese de Uberlândia.

Nascido em São Vendelino-RS em 19 de junho de 1936, era filho de Jacó Afonso Oppermann e Maria Ledur. Foi ordenado presbítero em 29 de junho de 1961 por Dom Francisco Borges do Amaral, sendo que sua ordenação episcopal foi celebrada em 21 de abril de 1983, com a presidência de Dom Carlo Furno. Seu lema episcopal foi “Cristo é o Senhor”. Por opção do Arcebispo, não foi escrito em latim, como era costume.

Assumiu a Arquidiocese de Uberaba em 1º de maio de 1996, em celebração presidida na Catedral Metropolitana. Assim como na posse de Dom Benedicto, estiveram presentes muitos bispos e fiéis.

Os primeiros meses de seu arcebispado foram dedicados a conhecer melhor a realidade da Arquidiocese, os padres, as paróquias e, assim, aos poucos ir desenvolvendo seu trabalho pastoral. No dia 29 de junho de 1996, recebeu das mãos do Papa João Paulo II, na Basílica de São Pedro, o pálio, legitimando sua jurisdição arquiepiscopal. Dom Aloísio Roque sempre pautou suas decisões, respaldado em seus conselhos e auxiliado pelos membros da Comunidade para que pudesse decidir com um olhar mais abrangente.

Em 1998, reuniu-se com o clero com a intenção de criar o tribunal eclesiástico da Arquidiocese de Uberaba, para que os assuntos administrativos e judiciais de ordem religiosa fossem resolvidos de forma mais rápida e menos burocrática.

Antes, eram enviados a outro tribunal de Arquidiocese vizinha, o que gerava muita demora. A abertura foi em 2000 e foi denominado Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Uberaba. Sua jurisdição passou a atender tanto a Arquidiocese de Uberaba, como as dioceses sufragâneas.

As ações em 2000 foram muitas. Ainda em 24 de dezembro de 1999, Dom Aloísio abriu na Catedral o Jubileu do Milênio, por ocasião do Ano Santo do nascimento de Jesus, convocado pelo papa João Paulo II. No final do mesmo ano, foram aprovados 21 jubileus que seriam celebrados no decorrer de 2000. Tais jubileus foram bem sucedidos e, segundo

consta no Livro de Tombo, cada um contou com a orientação de um padre e forte clamor popular.

Em março de 2000, a Catedral comemorou os 180 anos de criação da Paróquia de Santo Antônio e São Sebastião. Tal celebração contou com a presença do arcebispo e, nesse ano comemorativo, o título da Paróquia de Santo Antônio e São Sebastião voltou para a Catedral. As imagens foram colocadas no altar na disposição que hoje estão e também nos jardins, ao lado da imagem do Sagrado Coração de Jesus.

Sob o aspecto pastoral, Dom Aloísio Roque deu continuidade ao PAPIU elaborado inicialmente por Dom Benedicto e, além das visitas pastorais, foram articuladas e consolidadas as reuniões de Região, cujo objetivo inicial foi de facilitar e integrar as ações da Igreja por toda a Arquidiocese. Tanto as visitas pastorais quanto as reuniões de Região eram vistas como uma grande responsabilidade por Dom Aloísio, considerando que a partir delas é possível atender melhor os fiéis e suas necessidades pastorais. Sempre deu uma atenção especial também à formação inicial da vida cristã, investindo e incentivando a formação dos catequistas, fortalecendo a Pastoral Catequética na Arquidiocese.

Outra ação realizada pelo arcebispo foi a articulação de uma comissão para a aprovação do Diaconato Permanente. Tal comissão foi coordenada pelo padre Luiz Carlos de Resende, que teve como tarefa apresentar o diaconato para o clero, principalmente seus benefícios pastorais.

Em junho de 2001, foram criados critérios de apresentação de candidatos para as paróquias. No dia 7 de agosto de 2001, Dom Aloísio Roque ordenou o primeiro diácono permanente da Arquidiocese, o senhor Alfeu Moreira da Silva, que já desempenhava várias funções na Paróquia São José do bairro Gameleira. A partir dessa celebração, o projeto foi concretizado.

Dom Aloísio Roque criou 20 novas paróquias por toda a Arquidiocese. Em Uberaba foram: Paróquia Cristo Bom Pastor, Nossa Senhora de Lourdes, Nossa Senhora do Rosário, Pessoal de Nossa Senhora da Saúde, Santa Bárbara, Santa Cruz e de Nossa Senhora das Dores, Santo Antônio de Santana Galvão, Santo Expedito, São José Tutunas e São Mateus; em Araxá: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Sagrada Família, São José; em Comendador Gomes: São Sebastião; em Frutal: Santo Antônio; em Aparecida de Minas: Nossa Senhora Aparecida; Prata: São José Operário; Sacramento: Nossa Senhora d'Abadia; Tapira: São Sebastião.

Para que as paróquias fossem assistidas adequadamente, ordenou também muitos padres e isto só foi possível após um trabalho profícuo da Pastoral Vocacional e dos reitores do Seminário São José e Nossa Senhora da Abadia, além da criação do propedêutico, pensado como forma de acolher os candidatos ao Seminário.

Durante seu arcebispado, fez a divisão do Seminário, separando a formação de Filosofia com sede em Uberlândia, no Seminário Nossa Senhora da Abadia, e o curso de Teologia no Seminário São José, em Uberaba.

Sob o aspecto administrativo, Dom Aloísio Roque incentivou a profissionalização de seus ecônomos, das secretárias paroquiais, facilitando o atendimento, bem como a transparência administrativa.

Além disso, criou juntamente com o clero o Fraterno Auxílio Presbiteral – FAP e a Obra Arquidiocesana, fundos mantidos pelos padres e paróquias, cuja finalidade é colaborar com os sacerdotes e seminaristas, quando as paróquias não conseguem suprir as demandas.

O apogeu de seu governo foi em 2007, em virtude da comemoração do Jubileu dos 100 anos de criação da Diocese de Uberaba. Várias ações foram pensadas pelo clero e pelo arcebispo. Houve uma preparação de três anos para que toda a Arquidiocese de Uberaba pudesse entrar em sintonia na importante data. Ao mesmo tempo, toda uma restruturação pastoral foi desenvolvida.

Preocupado com a visibilidade da Igreja e seu alcance, deu destaque aos meios de Comunicação e, logo no início de seu governo, dezembro de 1996, fundou a Associação Metropolitana Cultural e Artística“Dom Aloísio Roque Oppermann” que, atualmente, através da Rádio Metropolitana (FM), consegue alcançar toda a cidade de Uberaba. A rádio expandiu-se e conta com sua versão on-line e de aplicativo.

Com o planejamento do diretor da Rádio Metropolitana, Monsenhor Valmir Ribeiro, pároco da Catedral, hoje a Rádio conta também com a possibilidade de transmissão on-line, feito que se tornou de grande valia para a Arquidiocese, dinamizando o aspecto pastoral e possibilitando formações e reuniões.

Na Comunicação, a Arquidiocese criou seu próprio site, além do Jornal Metropolitano, distribuído em todos os 20 municípios da Arquidiocese. Dom Aloísio Roque valorizou muito a presença dos leigos na realidade arquidiocesana, intensificada com a instituição dos diáconos permanentes e dos leigos consagrados (Instituto São José) e o fortalecimento da Escola de Teologia para Leigos, a ESTELAU.

Em 2010, presidiu a ordenação episcopal de Monsenhor Antônio Braz Benevente, membro do clero uberabense nomeado bispo da Diocese de Jacarezinho. A ordenação aconteceu no Ginásio Marista e, além de Dom Aloísio, contou com a presença do arcebispo emérito Dom Benedicto, concelebrante. Pode-se observar que Dom Aloísio sempre que possível celebrou as missas de preceito na Catedral, sua paróquia. Na Semana Santa, sobretudo a missa da Uni dade; nas datas comemorativas de seu ministério, da Arquidiocese e da liturgia da Igreja que se recomenda que o arcebispo celebre em sua Catedral. Muito dedicado no aspecto litúrgico, foi bispo referencial da Pastoral Litúrgica do Regional Leste II por anos, além de ter sido membro da Comissão Nacional de Liturgia da CNBB.

Em 2011, ao completar 75 anos de vida, enviou seu pedido de renúncia ao papa Bento XVI. O acolhimento do pedido veio um tempo depois, em março de 2012, com a nomeação de seu sucessor, Dom Paulo Mendes Peixoto, até então bispo da Diocese de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo.

Um dos últimos feitos de Dom Aloísio ainda como arcebispo de Uberaba foi a missa da Unidade de 2012, celebrada na Catedral. Antes do início da celebração, houve a homenagem da banda da Polícia Militar e, durante a celebração, grande homenagem por parte do clero e dos fiéis da cidade que manifestaram toda a gratidão e carinho ao arcebispo.

Como arcebispo emérito, auxiliou Dom Paulo em poucas atividades pastorais devido à fragilidade de sua saúde. Faleceu em 27 de abril em sua residência, sendo sepultado no dia seguinte, na cripta da Catedral Metropolitana. Assim como seus predecessores, Dom Alexandre e Dom Benedicto, foi grande amante da literatura e escreveu algumas obras, entre elas a“Flashes da vida de um bispo” com curiosidades de sua vida enquanto era bispo.

Bispado de Dom Paulo Mendes Peixoto, 8º bispo e 4º arcebispo:

O quarto Arcebispo e oitavo Bispo de Uberaba é Dom Paulo Mendes Peixoto, natural de Imbé de Minas, onde nasceu em 25 de fevereiro de 1951. O arcebispo é o primogênito de uma família de 16 filhos.

Seus pais são Aldir Peixoto, já falecido, e Maria Mendes Peixoto. Desde a infância sonhou em ser padre e aos 8 anos manifestou à família seu desejo. Iniciou sua formação na escola rural perto da fazenda de seu avô, Antônio Peixoto e, em 1967, com apenas 12 anos, entrou para o Seminário Diocesano de Nossa Senhora do Rosário de Caratinga. Após terminar a educação básica, iniciou o curso de Filosofia e, em seguida, o de Teologia no mesmo Seminário.

Entre o final do curso de Filosofia e Teologia, começou o curso de História na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Caratinga (FAFIC). No Seminário, cumpriu várias funções: entre elas, ministrou aulas de História do Brasil e Geral, Geografia, Introdução à Sociologia e OSPB (Organização Social e Política Brasileira), de 1974 a 1981.

A sua ordenação diaconal foi celebrada em 26 de novembro de 1978 pelo então bispo diocesano, Dom José Eugênio Corrêa, enquanto a sua ordenação presbiteral foi celebrada na Solenidade da Imaculada Conceição, em 8 de dezembro de 1979, ambos momentos foram celebrados na Catedral de São João Batista de Caratinga, sendo Dom Hélio Gonçalves Heleno, bispo diocesano de Caratinga que o ordenou.

Logo após sua ordenação em 1º de janeiro de 1980, assumiu sua primeira paróquia, a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, da cidade de Vermelho Novo e, pouco depois, também a Paróquia de Santa Helena de Caputira, permanecendo em ambas até 1982.

Entre 1984 e 1985, cursou Direito Canônico na Arquidiocese de São Sebastião, no Rio de Janeiro. Dom Paulo continuou seus trabalhos pastorais em paróquias da Diocese de Caratinga de 1986 a 2004 e, nesse período como padre da Diocese, especializou-se em Meios de Comunicação e equipamentos que, na perspectiva do arcebispo, são grandes facilitadores para o anúncio da Palavra de Deus e para os ensinamentos da Igreja. Durante

esse período, assumiu diversos cargos na Diocese, como, por exemplo, diretor espiritual do Seminário por doze anos, além de ser vice-reitor, membro do Colégio dos Consultores e Presbiteral.

Seus programas de Rádio iniciaram quando foi pároco na cidade de Carangola, e um dos investimentos que Dom Paulo sempre fez por onde passou foi em aparelhagem e técnica, para que a qualidade das transmissões e programas não fossem inferiores em relação a outras emissoras. Com essa perspectiva, manteve sempre seus programas de rádio ativos desde seu tempo de pároco até a atualidade.

Sua nomeação episcopal para a primeira Diocese, a de São José do Rio Preto, ocorreu em 7 de dezembro de 2005, véspera de seu aniversário de ordenação presbiteral. Em 25 de fevereiro de 2006, dia de seu aniversário, foi ordenado bispo pelo mesmo prelado que o ordenou sacerdote, Dom Hélio Gonçalves Heleno, tendo Dom José Eugênio Corrêa, bispo emérito de Caratinga e Dom Odilon Guimarães Moreira, bispo da Diocese de Itabira, como concelebrantes principais.

A celebração foi realizada em frente ao Santuário da Adoração Perpétua de Caratinga e contou com a participação de 14 bispos, 125 padres e cerca de oito mil fiéis. Escolheu para seu lema episcopal a expressão “Ad Vitae Ministerium” – “Para o Serviço à Vida” e a celebração de posse na Diocese de São José do Rio Preto aconteceu em 25 de março de 2006, dia em que a Igreja celebra a Solenidade da Anunciação do Senhor.

A posse canônica na Catedral de São José contou com a presença de vários fiéis, padres da Diocese e bispos de dioceses vizinhas, dentre eles seu antecessor, Dom Orani Tempesta, que havia sido nomeado Arcebispo da Arquidiocese do Belém do Pará e hoje é cardeal arcebispo na Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Como Bispo na Diocese de São José do Rio Preto, tornou-se responsável pelo Santuário da Vida, na Rede Vida de Televisão, Conselheiro do IMBRAC e referencial para a Animação Bíblico - Catequética do Regional Sul 1 da CNBB, além de investir na formação dos seminaristas, na articulação pastoral e administrativa.

Podemos destacar que Dom Paulo realizou 67 visitas pastorais, criou 12 paróquias, crismou mais de 24 mil pessoas. Nas 94 paróquias fez a mudança dos párocos, produziu mais de 1400 programas catequéticos vinculados na rádio Interativa, 64 no Sistema Milícia da Imaculada e 322 programas na Rede Vida de Televisão. Além disso, escreveu mais de 600 artigos para jornais, ordenou 25 padres e 17 diáconos permanentes.

No dia 7 de março de 2012, foi nomeado pelo Papa Bento XVI como arcebispo da Arquidiocese de Uberaba e, em 26 do mesmo mês, visitou Uberaba para ser apresentado ao clero pelo arcebispo Dom Aloísio Roque e tratar dos preparativos de sua posse.

Para a posse de Dom Paulo, foi criada uma comissão para a organização do evento e de toda a logística: envio de convites para autoridades eclesiásticas e civis, além da hospedagem para os bispos convidados, familiares e amigos e almoço comemorativo. A posse contou com dois momentos: o primeiro, a posse canônica em 1º de maio, no Ginásio do Colégio Marista e o segundo, a primeira missa em sua igreja Catedral, no dia 6.

Em 1º de maio, Festa de São José Operário, a celebração contou com mais de quatro mil pessoas, entre elas, autoridades civis, vários bispos, como os eméritos de Uberaba, Dom Benedito de Ulhôa Vieira, Dom Aloísio Roque Oppermann e o cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo da Arquidiocese de São Paulo.

Assim como aconteceu com seus antecessores, a Catedral ficou pequena para a primeira missa de Dom Paulo, no dia 6 de maio. Foi recepcionado nas escadarias da Catedral pela Banda do 4° Batalhão da Polícia Militar e, em seguida, aspergiu os fiéis antes do início da celebração. A solenidade contou com a presença do bispo da Diocese de Patos de Minas, Dom Frei Cláudio Nori Sturm, do clero da Arquidiocese e de inúmeros fiéis.

Em junho do mesmo ano, viajou para o Vaticano acompanhado de alguns padres e, no dia 29 de junho, solenidade de São Pedro e São Paulo Apóstolos, recebeu de Bento XVI o pálio, encerrando os ritos de sua posse como arcebispo.

Os primeiros anos de Dom Paulo à frente da Arquidiocese de Uberaba foram dedicados a conhecer a realidade pastoral, administrativa e formativa, além de realizar mudanças vistas pelo arcebispo e seu Conselho, como necessárias para que seu trabalho começasse a ser desenvolvido.

Um dos primeiros feitos de Dom Paulo foi a restruturação das Regiões Pastorais da Arquidiocese, para que houvesse melhor integração e proximidade, facilitando, assim, os trabalhos propostos pela Coordenação Arquidiocesana de Pastoral.

Um dos frutos dessa restruturação e também das visitas pastorais foi a criação de novas paróquias. Desde então, Dom Paulo já criou 8 paróquias e quase paróquias por toda a Arquidiocese: Paróquia Mãe Rainha em Araxá; Paróquia São Pedro em Conceição das Alagoas; Paróquia Menino Jesus de Praga em Frutal; Paróquia Santa Edwiges, Paróquia Nossa Senhora de Lourdes – Mãe da Esperança, Paróquia de Santo Antônio de Pádua, Paróquia São Miguel e Paróquia São Paulo Apóstolo em Uberaba.

No aspecto formativo, motivou a reestruturação do Seminário São José, que foi transferido para Belo Horizonte em janeiro de 2016, com a perspectiva de melhorar a

formação dos padres. Os seminaristas passaram a cursar Filosofia e Teologia na PUC-Minas e até 2019 foram ordenados mais de 10 padres. A Escola Diaconal Santo Estevão teve novo impulso e até o momento foram ordenados mais de 20 diáconos permanentes em toda a Arquidiocese.

No aspecto pastoral arquidiocesano, incentivou a Pastoral da Comunicação que, com a nomeação do novo assessor em 2013, Monsenhor Valmir Ribeiro, passou por nova reestruturação sob todos os aspectos, como, por exemplo, o Jornal Metropolitano, a Rádio Metropolitana, a remodelação do site. Dom Paulo sempre prezou pela comunicação em seu trabalho.

Em 29 de novembro de 2015, a Arquidiocese vivenciou o Congresso Eucarístico, tendo como tema: “A Eucaristia alimenta a Igreja na Sociedade” e o lema: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9,13).

A partir de 2016, nomeou um padre assessor e um leigo coordenador para cada pastoral existente na Arquidiocese, a fim de melhor estruturá-las, além de facilitar a articulação delas em nível regional e paroquial. Houve a preparação para a “Assembleia do Povo de Deus” que consistiu em uma renovação pastoral. Foi realizada para a confecção do Plano de Pastoral (PAPIU) e aconteceu em 15 de novembro, em Uberaba.

A ideia da Assembleia foi de convocar por paróquia um representante de cada pastoral, para que se reunissem com a coordenação e o assessor de cada pastoral para juntos definirem os encaminhamentos para o triênio do plano, 2017 – 2019. Uma Missa foi celebrada no Ginásio Marista para encerrar a Assembleia que contou com fiéis de todas as cidades da Arquidiocese.

Em 2014, Dom Paulo participou do processo que concedeu o primeiro título de Basílica Menor de toda a Província de Uberaba à Paróquia do Santíssimo Sacramento apresentado pelo patrocínio de Maria, da cidade de Sacramento. Já em 2020, também com a ajuda do arcebispo, o Santuário de Nossa Senhora d'Abadia em Uberaba foi contemplado com a honraria. Esses títulos são dados a partir de um profícuo trabalho dos párocos, mas precisam contar com o apoio do arcebispo e de sua representação para que o pedido seja encaminhado à Santa Sé e, por fim, seja aceito pela Congregação responsável e, consequentemente, pelo Papa.

Sob o aspecto administrativo, Dom Paulo incentivou a modernização e profissionalização dos escritórios paroquiais, montou uma equipe cujo objetivo foi de capacitar os secretários, secretárias e voluntários paroquiais para que o novo sistema de contabilidade e informação paroquial passasse a funcionar com mais dinamismo.

Além disso, a Arquidiocese teve que investir em várias formações para os padres e colaboradores, para que todas as paróquias funcionassem em sintonia com a Arquidiocese. Atualmente, já é realidade o projeto que levou cerca de dois anos para funcionar adequadamente nas mais de 60 paróquias.

Em maio de 2017, o arcebispo lançou seu segundo livro intitulado “Valores para a Vida – Reflexões”, uma coletânea que reuniu seus 100 primeiros artigos publicados, quando ainda era pároco na Diocese de Caratinga. No dia 24 de maio, em cerimônia organizada pela Pastoral da Comunicação Arquidiocesana, no Centro de Eventos da Prefeitura de Uberaba, o arcebispo fez o lançamento e, em seguida, autografou os exemplares daqueles que o adquiriram. O primeiro livro de Dom Paulo foi “O Operário de Deus”, publicado em 2010, sob a responsabilidade de Donizeti Della Latta, da Diocese de São José do Rio Preto.

Quanto a sua atuação na Catedral Metropolitana, participou de grandes momentos que marcaram a vida da Igreja Particular de Uberaba, e a Catedral, como Igreja-mãe e sede do arcebispado, permaneceu como ponto tradicional de encontro e unidade. Uma das celebrações que marcaram a vida da Catedral e do arcebispo foi a Abertura do Jubileu

Extraordinário da Misericórdia, convocado pelo Papa Francisco em 2015, entre 8 de dezembro do ano de convocação até 20 de novembro de 2016. No dia 13 de dezembro de 2015, Dom Paulo em celebração presidida na Catedral, deu abertura ao Jubileu em toda a Arquidiocese.

Seguindo as orientações do Santo Padre, o arcebispo designou outros quatro locais da Arquidiocese para receberem as peregrinações: Basílica do Santíssimo Sacramento na cidade de Sacramento, Santuário de Nossa Senhora d'Abadia em Romaria, Paróquia de Nossa Senhora do Carmo em Frutal e Paróquia de São Domingos Gusmão em Araxá. A partir das orientações da Santa Sé, da CNBB e da Coordenação de Pastoral Arquidiocesana, o ano de 2016 foi repleto de jubileus temáticos nas paróquias que trouxeram para reflexão os temas centrais propostos pelo Papa.

Por ocasião da celebração dos 300 anos de Nossa Senhora Aparecida, em 29 janeiro de 2016, vários fiéis e padres da Arquidiocese de Uberaba acompanharam Dom Paulo em uma celebração Menino Jesus de Praga, das Irmãs Carmelitas Missionárias de Santa Teresa do Menino Jesus, e percorreu algumas ruas da cidade até chegar à Catedral. A Banda do 4º Batalhão da Polícia Militar recepcionou a imagem e os inúmeros fiéis que lotaram a Catedral. Dom Paulo celebrou a Missa, acompanhado por vários padres e depois falou sobre a importância da devoção mariana.

Sempre que possível, Dom Paulo preside as celebrações da Semana Santa na Catedral, salvo a necessidade de celebrar em outra paróquia. A missa da Unidade durante o arcebispado de Dom Paulo sofreu uma pequena mudança, a partir de considerações do seu Conselho, levando-a para outras paróquias de Uberaba, o rodízio incluindo a Catedral.

Em 2017, realizou na Catedral a Visita Pastoral, seguindo o cronograma arquidiocesano das visitas, que consiste na ida do arcebispo até a paróquia para conhecer um pouco mais sobre sua realidade pastoral e administrativa. Dom Paulo visitou a Catedral de 22 a 24 de setembro e pôde reunir e conhecer todos os agentes das pastorais da Catedral. Dentro do cronograma, recebeu a homenagem feita pela Câmara Municipal de Uberaba, a “Medalha Major Eustáquio”, maior honraria do Município. Tal homenagem foi concedida pelo vereador Almir Silva em março de 2012, porém não havia sido ainda entregue ao arcebispo. Como o prédio da Câmara Municipal está no território paroquial da Catedral, foi organizada a cerimônia que aconteceu na celebração da Santa Missa.

Em 2019, Dom Paulo presidiu a Missa de abertura do ano jubilar da Catedral, por ocasião da comemoração dos 200 anos e em dezembro deu início ao tríduo comemorativo. No dia jubilar, celebrou com a presença de alguns padres, autoridades civis e muitos fiéis.

É importante ressaltar que a presença do arcebispo em sua Igreja, a Catedral, é fundamental para revigorar e sustentar seu ministério episcopal, além de reforçar para os fiéis a concepção de unidade.

Dom Paulo é conhecido por seu carisma e humildade. Apesar de ser o arcebispo e teoricamente ter em si o poder centralizado, sempre pauta suas decisões depois de uma conversa com seus Conselhos, além de ser aberto ao diálogo em relação aos leigos, considerando também suas sugestões e experiências na vivência paroquial. Além disso, sua perspectiva descentralizadora viabiliza a autenticidade da caminhada pastoral. Ao mesmo tempo, ele se mantém atento, auxiliando os assessores e coordenadores quando necessário.

Dom Paulo ainda não realizou nenhuma Visita Ad Limina, representando a Arquidiocese de Uberaba. Seria realizada em 2020, mas foi transferida para 2021, em razão da pandemia do coronavírus. Dos muitos trabalhos realizados pelo arcebispo, podemos destacar sua prioridade em atender as orientações, normas e propostas pastorais vindas da Santa Sé e da CNBB, correspondendo também àquilo que ambas esperam ao

nomearem um bispo ou Arcebispo: manter a unidade e a comunhão com o Santo Padre. Ainda durante seu Arcebispado em Uberaba, Dom Paulo foi nomeado administrador apostólico da Diocese de Formosa, em março de 2018 e permaneceu à frente dessa Diocese até junho de 2019.

 

 

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